24/05/2016 10:11 - Atualizado em 01/08/2016 16:36

A qualidade popular do cantor e compositor capixaba Merci

Artista lança o disco “Dois é Par” e prova que música boa é para todos

Marcos Ferreira
Guitar Talks
Merci - Foto: divulgação

Quando a vida mostrou para o capixaba André Mercier, mais conhecido por Merci, que era hora de mudar, ele notou que não dava para tocar com outras pessoas que não fossem os velhos parceiros da banda Proxy. O empecilho se tornou um degrau para o artista saltar em uma aventura solo.

Após oito anos de guitarras destorcidas, o músico sacou “algumas músicas empoeiradas da gaveta” e foi seguindo o fluxo natural do que ia surgindo. Em pouco tempo já tinha seu primeiro disco individual pronto, o leve e de letras simples “Breveterno” (2013).

Dois anos depois, o artista, consciente do espaço de seu trabalho na rica cena musical brasileira, lançou “Dois é Par”, agora pelo selo carioca Gnoa Records. Mantendo a linha criativa de suas criações multitemáticas, que vão da sua relação com a cidade natal Vitória, no Espírito Santo, passado por suas relações de amores e amizades, à observação de sua cadela de estimação... não há limites para a matéria-prima de suas canções.

O “Mostre Sua Banda” conversou com Merci para saber mais da sua história e conhecer esse som simples, popular e de qualidade.

Merci - Foto: divulgação

Guitar Talks - Você faz uma música carregada de referências, mas muito própria, acho que é algo que muitos artistas procuram: identidade. Nos fale um pouco das suas influências.

Merci - Minhas influências não são tantas, mas tenho o costume de me prender bem a elas. Meu primeiro contato (mais interessado) com a música foi na adolescência. Me aproximei de pessoas que ouviam pop rock nacional. Foi aí que conheci e me apaixonei por bandas como Paralamas do Sucesso e Legião Urbana. Passei alguns anos ouvindo apenas isso, abrindo brechas para Engenheiros do Hawaii, Ultraje a Rigor, Titãs etc. Como sou de Vitória, fui apresentado ao Dead Fish e tantas outras bandas locais de hardcore e punk rock. A partir daí eu já tinha os ingredientes pra começar a compor.

Em 2005 montei minha primeira banda com essas influências. A atração pela música produzida no Brasil ainda me fez conhecer e curtir bandas que acabaram entrando no meu bule de influências, tais como Los Hermanos e Raimundos. É claro que tenho algumas referências gringas, como Beatles, Radiohead e Foo Fighters. Esses são nomes que comecei a curtir depois que montei minha primeira banda, e com certeza também fazem parte dessas influências. 

GT - Esse já é seu segundo disco solo. Antes você esteve à frente da banda Proxy. Como foi essa passagem para uma carreira individual?

Proxy foi uma grande diversão e me trouxe muitas coisas boas. Toquei com meus melhores amigos, e, sem dúvida, não tem prazer maior na música que tocar com pessoas que você ama, admira e se identifica. Foram oito anos de laboratório, fundamentais para a construção dos meus dois discos. A banda chegou ao fim devido ao desgaste natural.

Quando percebi estava sozinho e com algumas músicas empoeiradas na gaveta. Aproveitei essas músicas, compus mais algumas e ainda pesquei na antiga banda uma das músicas que mais gostava: “Vai me dizer”. O primeiro disco (Breveterno) nasceu principalmente da necessidade de continuar compondo.

A transição de banda para carreira solo foi bem natural. Eu não tive muita escolha. Estava muito acostumado a dividir palco com pessoas queridas, então naquele momento não me imaginava montando outra banda. Apenas fui seguindo o fluxo das composições e comecei a gravar sem pensar muito na parte de shows. Quando dei por mim, já estava com o disco pronto e me lançando em uma carreira “individual”.

Imagem do encarte de ``Dois é Par´´ - Foto: reprodução

GT - Em questão sonora, quais as diferenças dos seus recentes trabalhos e antes com a Proxy?

O antigo trabalho era basicamente composto por guitarras distorcidas, baixo e bateria. O que marca o trabalho atual é o descompromisso com o “peso”. Tudo soa de forma mais simples e mais leve. Acho que isso também veio acompanhado de letras mais maduras, o que é comum acontecer depois que você passa dos 30 (risos).

Antigamente, quando escrevia uma música, já me preocupava em como ela iria soar no palco. Agora a preocupação é com um simples acorde que pode fazer toda a diferença. Nos dois discos que lancei, contei com a excepcional produção de um grande amigo, o Guilherme Cysne. O cara chegou a resultados precisos e me apresentou arranjos pontuais que enriqueceram cada música dos dois trabalhos. Acrescentamos elementos que nunca tinha imaginado usar, como metais, violões, synths, gaita, piano e alguns elementos percussivos.

GT - A música brasileira vive uma fase bem peculiar de diversidade sonora, mas ainda com a grande mídia focada muito em alguns nichos como sertanejo e o funk com pegada pop. Como é trabalhar em um cenário como esse?


A diversidade musical é absurda. Há muita coisa interessante surgindo e eu gostaria de ter mais tempo pra digerir tudo com calma. Ainda estou descobrindo aos poucos como é trabalhar com música nos dias de hoje. Toda a minha atenção sempre foi muito voltada para o processo criativo e de produção/gravação. Só agora, com o lançamento do segundo disco, é que estou mais atento ao trabalho de construção de uma apresentação.

Entendo a necessidade de montar um bom show e mostrar para as pessoas como isso pode funcionar ao vivo. Hoje não me preocupo tanto com o fato de a grande mídia estar mais focada em nichos como sertanejo e funk. Acho que há espaço para todos, independentemente de haver apoio da mídia ou não. A internet nos trouxe um nível interessante de exposição, onde podemos usá-la a nosso favor 24h por dia. Vários outros nichos estão sendo formados, e há excelentes artistas em todos eles, prontos para ser apreciados! 

No estúdio com Guilherme Cysne - Foto: reprodução

GT - Fale um pouco da criação de “Dois é Par”, dessas composições e do processo de gravação.

“Dois é par” vem seguindo a mesma linha do primeiro trabalho. Algumas músicas já estavam prontas antes mesmo de decidir gravar novamente, mas a maioria foi criada especialmente para o segundo disco. Este trabalho é bem sincero, tanto nas composições como na forma de tocar. Gravei em Vitória, sob a produção do mesmo Cysne. Como no primeiro disco, adotamos o seguinte processo: gravamos todas as músicas no formato voz e violão e em cima disso começamos a experimentar os arranjos.

Finalizada essa etapa, a gente partia para as gravações definitivas. Tive o prazer e a felicidade de contar com músicos especiais neste trabalho: Bubu, Índio e Pimenta nos metais (músicos da banda Los Hermanos), Lemão na bateria (amigão da época de Proxy) e o talentoso Bernardo John, que me deu a honra de cantar comigo a faixa “Ela Vai Saber”.

Com a chegada do segundo disco pintou também a oportunidade de fazer parte do selo carioca, Gnoa Records, do queridíssimo Raphael Lós. Isso de certa forma me deixou menos órfão e com mais disposição para atacar outros estados. “Dois é par” não tem exatamente uma temática central. As histórias são até bem variadas para um disco de 10 faixas.  “Fim de cena” fala sobre a ida de um grande amigo para outro país; “Meg” descreve alguns hábitos esquisitos da minha cadelinha. Já “Dia comum” relata um pouco do dia a dia de quem mora na cidade de Vitória (do meu ponto de vista, claro). O otimismo e o pessimismo são elementos que chegam a se completar nas demais faixas do álbum.

GT - A arte desse disco é muito bonita e como vi descrever, é embarcar em uma nave. Como foi criada essa concepção e qual mensagem ela quer levar?

A arte do disco foi criada pela artista e design gráfica, Sthefany Frassi (Feffi). Sempre curti muito os desenhos da Feffi. Quando decidi gravar o segundo disco, imaginei na mesma hora algo criado por ela. Seus desenhos me despertam as sensações de complexidade e simplicidade ao mesmo tempo. 

O que fizemos foi basicamente mesclar nossas ideias, todas baseadas no próprio nome do disco (“Dois é Par”) e nas letras das músicas. Eu particularmente sempre fui fissurado pela temática “espacial” e acho que alguns arranjos realmente nos remetem a esse cenário. Daí a inserção, no encarte, de elementos como o astronauta e o planetinha.

Merci - Foto: divulgação

A ideia de “embarcar em uma nave” é justamente um convite para as pessoas entrarem nesse universo “audiovisual” que criamos. Outros elementos já partem do total entendimento da artista e foram concebidos de acordo com o que ela sentia ao ouvir cada faixa.  

GT - Gostaria de deixar um recado para os seguidores do Guitar Talks e a galera que te acompanha?

É um grande prazer estar aqui no GT falando um pouco do meu trabalho! Tenho certeza que os seguidores do site são bem antenados no que há de novo na cena musical brasileira. Aproveito pra registrar que meu novo álbum está nas principais plataformas digitais: Spotify, Apple Music, Google Play e Deezer. Basta procurar por “Merci Dois é Par”.

Pra quem quiser conhecer um pouco mais do que tenho produzido, incluindo o primeiro disco (Breveterno), basta dar um pulo no Soundclound (abaixo)! Lembrando que o Facebook também está lá pra galera ficar por dentro de todas as novidades do projeto.

Muito obrigado, GT! Valeu pela força!

Ouça "Dois é Par":

E o debut album "Breveterno":

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