07/02/2017 12:14 - Atualizado em 19/07/2017 18:14

Hempadura e o seu hardcore feito com discurso político recheado de sarcasmo

Banda tem dois discos na carreira, “Manifesto” e o “Mercado da Morte”

Colaboração
Guitar Talks
Hempadura - Foto: divulgação

Por Renan Costa
Edição final: Felipe Madureira


O Hempadura é uma das bandas de hardcore mais proeminentes do Rio Grande o Sul. Com 4 anos de carreira, Everton Bodão (guitarra), Marcelo Vianna (baixo), Kalleb Sanches (voz) e Ériton Castilho (bateria) soltam os cachorros por onde passam, destilando um forte discurso político recheado de sarcasmo.

Nessa conversa com o Guitar Talks, Kaleb fala sobre a cena gaúcha, primeira tour fora do estado natal, músicaXinternet, e a sensação de tocar pela segunda vez com o Dead Fish. De quebra ele recebeu um baita elogio do vocal do Dead Fish, Rodrigo Lima.

Rodrigo, aliás, em recente show no Planeta Atlântida no Rio Grande do Sul, soltou um sonoro “Globo Golpista”. Um dos assuntos da entrevista também tem a ver com o episódio, pois a ascensão de um discurso conservador na sociedade em geral anda ressoando no hardcore igualmente – inclusive entre fãs do Dead Fish.

“Hardcore e Punk sempre foram movimentos contra o conservadorismo, contra padrões etc... Se está agindo assim e se diz desses movimentos, sugiro uma leitura rápida sobre o assunto”, dispara o Kaleb.

Confira como foi a entrevista com o vocalista do Hempadura:

Hempadura - Foto: Bolhaoo Brunoxx

Guitar Talks/Renan Costa – Fala velho, beleza? Primeiramente fale um pouco do Hempadura.

Kaleb - Beleza mano, tranquilo! A Hempadura é uma banda de hardcore que une protesto e humor em suas letras, juntamente com riffs pesados e melodias colantes, na ativa desde 2013 firme e forte! 

GT - Cara, fala um pouco da tour para fora do Rio Grande do Sul, foi a primeira do Hempadura?

Sim cara, nossa primeira tour e já fora do estado, com três shows em Brasília e um na Bahia. Foi muito louco passar esses dias com nossos parceiros da banda Cadibóde, do Distrito Federal. Pouco sono e muita correria, mas uma satisfação imensa de levar nosso som e nossa mensagem o mais longe até agora.

GT – Quais cidades vocês ainda não tocaram no Rio Grande do Sul?

Não tocamos em muitos lugares. Queremos tocar em tudo quanto é canto nesse nosso Rio Grande do Sul. Amamos nossa terra e mostrar quem somos através da arte nos dá um orgulho muito grande.

GT - A gente percebe que o Rio Grande do Sul, e às vezes Santa Catarina, vivem numa bolha. As bandas se formam, tocam pra caralho por aqui, ganham público, lançam álbuns. Enfim, tem uma vida por aqui sem nem mesmo ser conhecidas no resto do Brasil. Fale um pouco disso. 

Acho uma pena, o que é bom tem que aparecer para o Brasil, pro mundo todo. Mas entendo bandas que não almejam sair pelo Brasil todo. Já nós queremos o MUNDO! Temos uma mensagem e queremos fazer o máximo de pessoas pensarem sobre seus próprios conceitos pré-estabelecidos.

GT - Vocês têm dois discos: O “Manifesto” e o “Mercado da Morte”. Manter a qualidade nos álbuns é um desafio ou uma consequência do seu trabalho e da sua vida? 

Nós fazemos nosso som, o que nos dá vontade e sempre damos o melhor de nós a cada ciclo. A qualidade ou "agradar" tem que ser medido pela gente. A galera curtir é consequência!

Hempadura - Foto: divulgação

GT - Você acha que falta identidade nas bandas de hoje?

Primeiro temos que dividir as bandas do mainstream das bandas do undergroud. No mainstream pouquíssimas bandas tem um senso critico social, político e ideológico! Já no under temos MUITAS bandas que bebem nessa fonte e muito boas por sinal. 

Exemplo: Eu Acuso!, 9Shot, Boca Braba HC, entre tantas outras! Temos muitas influências musicais, isso forma a mistura para que o nosso som seja o mais original possível.

GT – Qual a importância da internet pros artistas da cena gaúcha e pra Hempa também?


A internet só veio para ajudar.  Temos que ser positivos e aceitar as mudanças, use-a a seu favor! Para nós, da Hempa, só agrega. Divulgamos bastante o máximo de conteúdo da banda possível.  

Tem muita gente que nos acompanha de longe que não temos ainda como conhecer pessoalmente. Em breve a Hempa chega e é como se fossemos íntimos por essa proximidade que só é possível pela internet. Só temos que agradecer! 

Hempadura - Foto: divulgação

GT - Eu vejo nos roles e também na internet, muita gente do hardcore e do punk cagando bagulho conservador pela boca. Frente às letras da Hempa, isso não dá uma tristezinha? O loco tá ali curtindo teu som e não tá absorvendo nada? 

Tristeza NUNCA! Estamos fazendo o que mais gostamos na vida e sempre se absorve algo. Mas se não mudar também, ele é livre para pensar o que quiser.  Só que estudar um pouquinho é bom. 

Hardcore e Punk sempre foram movimentos contra o conservadorismo, contra padrões etc... Se esta agindo assim e se diz desses movimentos, sugiro uma leitura rápida sobre o assunto.

GT - Qual foi a sensação de abrir o show do Dead Fish, além de ouvir tantos elogios vindos da banda?

A sensação de abrir o show do Dead Fish pela segunda vez foi demais. Tínhamos tocado com eles em Caxias na primeira oportunidade. Eles são uma das bandas que mais respeitamos e é uma honra sempre dividir o palco e trocar umas ideias com os caras!

Na real, o Rodrigo me pegou de surpresa. Logo após o show do nada ele falou: “pô canta demais hein!”. Eu ri e agradeci né, obvio, fiquei lisonjeado!  Ouvir isso de um cara que tem essa bagagem toda de anos de HC e que particularmente curto muito tanto como vocalista quanto compositor.  Sou grato ao universo pelas oportunidades que tem nos aparecido, fruto de muito trabalho duro, mas agradecer nunca é demais.

GT - Pra terminar, manda uma mensagem pra galera aí do Sul e também pro resto do Brasil.  O que o ano de 2017 promete pra Hempadura? Muito sucesso, valeu!

Muito obrigado pela entrevista! É muito bom poder interagir com a galera de uma maneira diferente e mostrar o que somos para quem ainda não nos conhece. 

A mensagem é simples: seja livre, seja o que você quiser, respeito é a base, proteste e lute sempre! Tem muita coisa errada por aí e cada um pode fazer sua parte. Nós fazemos a nossa (te fazendo pensar) e você? 

Confira o clipe de “Mercado da Morte”:

E o disco homônimo:

Também o álbum “Manifesto”:

Renan Costa é antenado com tudo o que rola na cena hardcore gaúcha e brasileira em geral. Ele é vocalista da banda Deu Ruim.

COMENTÁRIOS

PUBLICIDADE

RELACIONADAS

FACEBOOK