19/07/2017 17:58 - Atualizado em 05/08/2017 01:15

Zé Brown e a sua autêntica aula de Hip Hop e cultura popular brasileira

Ex-Faces do Súburbio prepara seu segundo disco solo, “Poesias do Povo”, e conversa com o GT sobre carreira e música em geral

Felipe Madureira
Guitar Talks
Zé Brown - Foto: divulgação

Zé Brown é uma figura emblemática da cena musical do Recife. Limitá-lo a um ou outro estilo é muito pobre. Zé é rap, Zé é cultura popular. Zé é do gueto, Zé é do povão. O músico fez parte da banda Faces do Subúrbio, que fez história misturando rap, embolada e guitarras distorcidas e chegou a ser indicada ao Grammy Latino.

Natural do não menos emblemático bairro Alto José do Pinho, Brown cresceu musicalmente em meio à efervescência de estilos da rica cultura pernambucana, e do nascimento do Mangue Beat.

“Alto José do Pinho sempre teve sua identidade cultural - com uma geração envolvida com Maracatu, Caboclinhos, Escola de Samba e Quadrilhas Juninas. No final dos anos 80, iniciou o movimento de bandas de rock com a rapaziada produzindo seus shows como Devotos, O Verbo, Flores Negras, Terceiro Mundo e Faces do Subúrbio”, explica.

Ele acaba de participar de uma cypher com rappers da nova e velha escola envolvendo todos os estados do nordeste (idealizada pelo coletivo/selo Nordeste Mundo). Em estágio de produção, a cypher ainda não foi lançada oficialmente. Brown também produz o seu segundo álbum solo – intitulado “Poesias do Povo”. Uma renca de grandes artistas constam nesse trabalho. Nomes como Marcelo D2, Dj Hum, Jorge Du Peixe (Nação Zumbi) enriquecem o disco de Zé Brown.

Confira a entrevista e acompanhe a carreira do músico recifense.

GT - Zé, você iniciou seu contato com o hip-hop através do Break. Pra você qual a importância dos 4 elementos desse movimento?

Zé Brown - Eu tenho os 4 elementos do Hip Hop como uma grande essência, um importante veiculo de comunicação e transformação pra juventude. Sou exemplo vivo dessa fórmula. A cultura Hip Hip realmente muda vidas e forma de pensamentos.

Zé Brown - Foto: divulgação

GT - Isso já faz 30 anos. O que mudou para você na cena, em sua opinião?

Mudou pra melhor, considerando a falta de recursos. No passado, aqui em Recife, não existiam equipamentos como toca discos, os vinis com as bases, e os lugares pra tocar eram escassos. Hoje, a nova geração tem a Internet e produz música em casa, divulgando as tracks para o mundo todo. Só que ainda continua a dificuldade pra fazer shows.

GT - Quando você estava começando o mangue beat nascia, bandas como o Devotos do Ódio (pessoal, aliás, que é da sua quebrada, Alto José do Pinho) aparecendo. Fale um pouco pra galera que mal tava saindo das fraldas sacar o espirito daquela época, especificamente na cena pernambucana.

Alto José do Pinho sempre teve sua identidade cultural - com uma geração envolvida com Maracatu, Caboclinhos, Escola de Samba e Quadrilhas Juninas. No final dos anos 80, iniciou o movimento de bandas de rock com a rapaziada produzindo seus shows como Devotos, O Verbo, Flores Negras, Terceiro Mundo e Faces do Subúrbio.

Eles sempre tiveram em evidência aqui. Quando apareceu o Mangue Beat, isso se expandiu, pois a mídia levou para todo o mundo aquela novidade. Tempos bons. A cidade do Recife ficou bem comentada em todo território nacional.

GT - Você fez parte de uma seminal banda de rap, o Faces do Subúrbio. Conte um pouco da experiência com o grupo.

O Faces foi minha faculdade, o início de tudo. Foi um trabalho original e expressivo que já iniciava sua trajetória misturando rap, embolada e guitarras distorcidas - completando com um discurso de punho social. A banda viajou o Brasil todo, teve a indicação do Grammy Latino e sempre levou o nome do Nordeste aonde chegava.

GT - Você começou já com as raízes da Black Music, como também da cultura popular brasileira. Como é esse casamento?

Eu fui criado em dois ambientes onde a cultura é muito forte. O lado urbano do Alto José do Pinho, local no qual a Black Music estava no cotidiano. E o lado interiorano da cidade de Nazaré da Mata, onde a cultura popular também é muito forte.

GT - Fale um pouco sobre sua carreira solo e as parcerias criadas ao longo do tempo.

Em 2005, o Faces do Subúrbio decidiu encerrar as atividades. Eu sou pesquisador musical e gosto muito de compor, então não podia estacionar e investi na minha carreira solo. Nesta eu mostro, com mais intensidade, essa mistura sonora. Nomes como Skowa, Janja Gomes, João Parahyba (Trio Mocotó) trabalharam no meu primeiro disco solo, “Repente Rap Repente” (2011).

Zé Brown - Foto: divulgação

O álbum contou com a participação de Rappin´ Hood, Zeca Baleiro, Castanha, Gilmar Bola 8, Marcos Mathias, meus alunos de Rima e um time de músicos sensacionais. 

Ainda em 2017, vou lançar o segundo álbum solo – intitulado “Poesias do Povo” – trabalho que está sendo produzido por Janja Gomes e eu – e vai constar participações de Marcelo D2, Jessica Menezes, DJ Hum, Jorge Du Peixe (Nação Zumbi), DJ Beto, DJ Marcelinho e DJ Meio Kilo. 

Ainda participam Joul Materia Rima, Maciel Melo, Caçapa, Raffa Nepomuceno, Alessandra Leão, João Parahyba, Beto Bala, DJ Marcelinho, Marcio Oliveira, Sidcley, Terno Quente, Caju e Castanha um time de amigos e bons musicos que sempre me inspiraram esse trabalho vem mais poético e com mais brilho na musicalidade. 

GT – Você lançou recentemente um videoclipe em parceria com Caju e Castanha. Como foi a concepção desse trabalho? 

Esse clipe é da música “Butadas Vol 2” - que vai estar no álbum “Poesias do Povo”. O vídeo é uma parceria com a Globo Nordeste e é uma forma de homenagem às comunidades de Pernambuco. Graças a Deus esse trabalho está sendo bem comentado pela a crítica e pelo povão.

GT – Outro lance que há seu envolvimento é uma cypher, organizada pelo selo/coletivo Nordeste Mundo, com MC´s de todos os estados nordestinos. Como foi participar disso e qual sua visão em relação ao rap da região no momento atual?

Participar sempre é importante. Esse intercâmbio só faz fluir positivamente. Soa bem para os admiradores de um trabalho de qualidade. Foi uma honra para mim dividir essa função. E vejo que o Hip Hop no Nordeste está em alta com qualidade e profissionalismo.

GT - Valeu mano! Agora é hora do salve final pros leitores do site e para seus seguidores.

Deus abençoe a todos e que nunca desistam dos seus objetivos. Acreditem, acreditem sempre! Muito obrigado pela a oportunidade!

Ouça o disco solo de estreia de Zé Brown:

E confira o clipe de “Butadas Vol 2”:

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