03/10/2016 13:48 - Atualizado em 04/10/2016 23:27

A arte de Verônica Sabino, Jon Secada, Violeta Parra e Mercedes Sosa

Os sons latinos em destaque na coluna desta terça-feira

Redação
Hoje é Dia

Hoje é dia!
Por Ladenilson Pereira, professor e historiador

Muitas vezes as pessoas se esquecem, mas embora o Brasil não fale espanhol, ele pertence à América Latina. Assim, entre chegadas e partidas, o dia celebra a latinidade. É o momento de homenagear uma brasileira, um cubano, uma chilena e uma argentina.

Verônica Sabino faz hoje 56 anos - Foto: Carla Mesquita

Como é de praxe nos eventos internacionais, o representante da casa faz a abertura. No caso, a cantora e compositora VERÔNICA SABINO, nascida em 4 de OUTUBRO de 1960. A filha do inesquecível escritor Fernando Sabino começou sua carreira artística como integrante do grupo vocal Céu da Boca, entre 1979 e 1984, participando dos LPs "Céu da Boca" e "Barato total". Sua trajetória individual teve início com o álbum “Metamorfose”, com a versão para o sucesso dos Beatles "Yes, it is", conquistando o Brasil sob o nome de “Demais” e emplacando a trilha sonora do remake de “Selva de Pedra” em 1986. Os folhetins globais ajudaram bastante a divulgação de seu trabalho, com canções em tramas como “Vale Tudo” (“Todo o Sentimento”), “O Cravo e a Rosa” (“Lua Branca”) e “Tieta” (“TUDO QUE SE QUER”). Esta versão de Nelson Motta para a norte-americana "All I Ask of You", integrante do musical “O Fantasma da Ópera”, contou com a luxuosa participação de Emílio Santiago. Além destas, outras belas faixas podem ser encontradas na coletânea "Passando a limpo", reunindo seus maiores sucessos. Seu talento também pode ser conferido através da audição dos recentes “Agora” e “Que Nega É Essa”, com canções próprias e interpretações de obras de Zeca Baleiro, Vítor Ramil, Moska entre tantos outros.

Jon Secada comemora seus 54 anos - Foto: divugação

A porção estrangeira se inicia com o cantor e compositor JON SECADA, cubano radicado nos Estados Unidos, nascido em 4 de OUTUBRO de 1962. Quando sua família deixou a ilha comunista em 1971, dirigiu-se a Miami. Aluno da universidade local, cedo deu mostras de seu talento. Profissionalmente, sua caminhada teve princípio como vocal de apoio na banda de Gloria Estefan. Ali, adquiriu experiência para lançar no início dos anos 90 os álbuns “Jon Secada” e “Heart, Soul & a Voice”, que lhe garantiram fama por conta de faixas como “Just Another Day”, “Angel”, “Do You Believe in Us”, “Mental Picture” e “Si Te Vas”. Seguiram-se a estes vários outros sucessos como “Window to My Heart”, “Tender Love”, “Free”, “Coming Out of the Dark” e “She´s All I Ever Had”, que brilharam na sua voz e também gravadas posteriormente por astros como Jennifer Lopez, Cindy Lauper, Marina Elali e tantos outros. Com o status de um dos maiores representantes latinos na música contemporânea, já gravou em inglês e espanhol desde canções natalinas à música pop, passando por standards e clássicos como “GRANADA” de Augustín Lara, ao lado do lendário Luciano Pavarotti.

Violeta Parra faleceu no dia 5 de fevereiro de 1967, em Santiago, Chile - Foto arquivo

A vida e arte aproximou as duas últimas homenageadas de hoje. A compositora chilena VIOLETA PARRA, chegada ao mundo em 4 de OUTUBRO de 1917. Além de resgatar as raízes indígenas da canção latino-americana, fez de seus versos instrumento de denúncia das desigualdades sociais do continente como em “La Carta” (“...Os famintos pedem pão; chumbo lhes dá a polícia"...) ou o drama da mortalidade infantil em "Rin de Angelito" (“...No seu bercinho de terra um sino vai te embalar, enquanto a chuva te limpará a carinha na manhã...”). Neste clima de integração latino-americana, nada mais adequado que recordar “VOLVER A LOS 17”, de sua autoria. Dentre os tantos belos registros, um especialmente magistral foi feito nas vozes de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gal Costa, Milton Nascimento e Mercedes Sosa.

Mercedes Sosa morreu na Argentina aos 74 anos - Foto: divilgação

Por uma ironia do destino, a maior intérprete da autora chilena foi justamente a acima mencionada cantora e compositora argentina MERCEDES SOSA, que se despediu de nós em 4 de OUTUBRO de 2009. “A voz dos sem voz” ou “La Negra”, como também era chamada, foi um dos maiores expoentes do movimento conhecido como Nueva Canción, caracterizado por cantar a herança musical latina com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas, por uma condenação do imperialismo norte-americano e uma contundente denúncia das desigualdades sociais. Para os que desejam se aprofundar em sua obra, a dica são os trabalhos “Canciones con Fundamento” (compilação de músicas folclóricas), “Mercedes Sosa en Argentina” (disco ao vivo que celebra seu retorno ao país após exílio motivado por seu ativismo político) e “Cantora” (duetos com grandes nomes do continente, inclusive alguns brasileiros). Esta brilhante e engajada artista tinha mesmo que ir embora no aniversário de sua grande mestra. Celebremos, dando “GRACIAS A LA VIDA”...

Ladenilson Pereira

Ladenilson Pereira

Formado em História e Direito pela USP, Mestre em Educação pela Uninove, Professor Universitário na FALC (Faculdade da Aldeia de Carapicuíba), Professor de História no MED Vestibulares e também leciona na rede pública estadual paulista. Ele colabora com o Guitar Talks desde setembro de 2013. Exerce seu primeiro mandato como vereador de Carapicuíba.

COMENTÁRIOS

PUBLICIDADE

RELACIONADAS

FACEBOOK