02/03/2017 20:19 - Atualizado em 30/03/2017 18:50

A incrível nave O´Malleys decola voo sete minutos depois da meia-noite

O carnaval e um outro universo

Matheus Krempel
Hey Amigos!
A terra onde aterrisou a nave - Foto: reprodução

Hey Amigos!
Por Matheus Krempel

E aí? Como vocês foram de carnaval? Muita ressaca? Alcoólica? Moral?

Tanto faz.

Este ano, optei pela (semi) abstinência alcoólica e foquei em transformar a sala da minha casa em uma nave. Óbvio que ela não chega nem perto de ser a Enterprise, mas na minha cabeça, no meu mundinho fantástico, é como se fosse.

E partindo desse princípio, fiz o check in de tudo o que eu precisava, antes de decolar voo.

Sorvete de Chocolate, Ok. Miojo e comidas prontas diversas, Ok. Controle remoto do som, da TV e do vídeo, Ok. Travesseiros, Ok. Ventilador da esquerda, Ok e o da direita, idem. Co-pilota, Ok. Todos a bordo? Hell Yeah!

Não vou mentir. Eu até tinha a intenção de dar uma olhada nos blocos e tudo o mais, mas sábado retrasado eu e a minha tripulação abandonamos a nave e fomos fazer um reconhecimento de território, ali pelo Baixo Augusta e foi o suficiente para sermos abordados por um bêbado mala. Nos estressamos e eu me segurei para não meter uma bicuda na cara do filha da puta.

Levantamos voo e partimos para uma maratona de filmes, séries e afins, atividade que eu não me prestava já fazia um bom tempo.

Tudo ótimo, maravilhoso e praticamente sem turbulências. Finalizei "Santa Clarita Diet" e a segunda temporada de "Ash vs Evil Dead". Vi "Tartarugas Ninjas", "Capitão Fantástico", "Doutor Estranho” e um pouco do desfile da Unidos do Peruche (aliás, achei o samba enredo sensacional. Samba io-io, samba ia ia). 

Ouça aqui:

Ainda tinha um filme para assistir.

Era um longa sobre Connor O´Malleys, um menino de onze anos que recebia a visita de uma árvore. A árvore contava historinhas pro menino e o filme se desenrolava daí. Minha co-pilota gosta muito de histórias fantásticas e eu imaginei que esse filme, intitulado "Sete Minutos Depois da Meia Noite" ("A Monster Calls" – 108 minutos), seria a escolha perfeita para agradá-la. 

O filme começa, o moleque tem um puta talento pra desenhar, sofre bullying o tempo inteiro no colégio, a mãe está morrendo de câncer, a vó é uma megera, o pai mora em outro país e tem outra família.

Isso já começou a me incomodar, afinal, eu odeio o gênero drama. No entanto, uma vez que eu começo um filme, eu me obrigo a ir até o final. Thanks God!

Quando a árvore visita o menino, pela primeira vez, você fica meio confuso. Quando rola a segunda visita, tudo começa a fazer sentido. E de repente me vi inserido no mundo do menino O´Malleys (aliás, que nome… belíssimo Pub).

A nave de Krempel - Foto: reprodução

Fiquei duas semanas, sem enviar texto para Guitar Talks e não queria voltar e jogar água no chopp de ninguém, estragando o enredo desse filme. Poderia dizer que ele aborda a importância da fé, os medicamentos fitoterápicos e a nossa relação com a natureza, mas isso são apenas detalhes.

Na verdade se trata de uma metáfora maravilhosa, para todos que já se despediram de algum ente querido e uma bela lição para quem ainda busca a sua personalidade. Mesmo para pessoas mais velhas, calejadas depois de tantas perdas e bullyings, existe uma frase no início do filme que ajuda a criar um laço com o personagem. 

Uma frase que parece ser quase um slogan da nossa geração. "Velho demais para ser criança e muito novo para ser um homem". Quando o filme acabou eu estava com a cara tão inchada, que parecia que eu havia sofrido um acidente com a minha nave, me chocando contra um asteroide e me arrebentado inteiro.

Uma hora depois do filme, eu estava brisando sobre como foi bom ter chorado tanto. Fazia muito tempo que eu não chorava desse jeito. Duas horas depois, parecia que eu havia liberado umas duas tonelada das minhas costas.

Duas toneladas!!!

O que eram essas duas toneladas? Eu realmente não sei. Não quis buscar respostas. Só me prendi a sensação de alívio que eu senti naquela hora e segui voo com a minha nave.

Faça um favor a si mesmo e assista esse filme.

Matheus Krempel

Matheus Krempel

Matheus Krempel toca desde 1995 no The Bombers e também canta no Reverendo Frankenstein. Já escreveu para o fanzine Rebel Magazine e colaborou com matérias para diversos sites como Zona Punk e Blog n´ Roll A tribuna. Há 10 anos atua no mercado da moda de luxo, na área administrativa, inclusive já tendo ministrado palestra na Faculdade Unisanta.

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