07/11/2016 11:27 - Atualizado em 08/11/2016 01:20

Ary Barroso, Johnny Rivers, Sharleen Spiteri e o estranho mundo de Lorde

O talento incontestável e os universos de quatro grandes nomes da música

Redação
Hoje é Dia

Hoje é dia!
Por Ladenilson Pereira, professor e historiador


Chico Buarque em “Paratodos” saúda os grandes mestres da canção brasileira, homenageia também seus contemporâneos e fecha saudando os jovens que estão surgindo. Não me prendendo a um único idioma e estilo, faço algo parecido na coluna de hoje. É só seguir...

O mineiro Ary Barroso morreu no Rio de Janeiro 9 de fevereiro de 1964 - Foto: arquivo

Iniciando com ARY BARROSO, nascido em 7 de NOVEMBRO de 1903. O maior compositor brasileiro da era do rádio, integra o seletíssimo grupo de artistas responsáveis pela formação de nossa identidade musical. Foi também radialista (tendo dinamizado a narração esportiva, ainda que com escandalosa parcialidade em relação ao seu Flamengo) e apresentador de programas de calouros marcados por sua excentricidade (exigia que as músicas fossem cantadas em português e que fossem ditos os nomes dos compositores, além de ordenar que seu auxiliar de palco, um jovem Tião Macalé, tocasse um gongo ao reprovar candidatos). Sua popularidade o ajudou a eleger-se vereador pelo antigo Distrito Federal. Foi até hoje o único artista brazuca a receber um diploma da Academia de Ciências Cinematográficas de Hollywood (por sua contribuição na trilha sonora do filme “Você já foi à Bahia?”), do qual destaco a sequência ao som de “OS QUINDINS DE IAIÁ”.

Em seu tempo, foi o músico popular nascido no Brasil de maior repercussão internacional, e mesmo depois, apenas Tom Jobim conseguiu superá-lo em gravações ao redor do globo. Também não é para menos, sozinho ou em parceria, assinou obras de rara beleza como “No Rancho Fundo”, “Tu”, “Boneca de Piche”, “Folha Morta”, “Na Batucada da Vida”, "Grau dez", “Inquietação”, “Paulistinha Querida”, “Quando eu Penso na Bahia”, “No Tabuleiro da Baiana” e “Na Baixa do Sapateiro”. Estas últimas representativas de uma de suas maiores fontes de inspiração, a Bahia; apesar de ser mineiro da cidade de Ubá. Por conta disto, seus críticos o apelidavam de “ubaiano”. No entanto, seu maior clássico é, indiscutivelmente, o samba-exaltação “AQUARELA DO BRASIL”. A canção teve, dentre seus intérpretes pelo mundo afora, nomes consagrados como Ray Conniff, Frank Sinatra, Tommy Dorsey e Bing Crosby.

As mais de duas centenas de músicas que compôs permanecem como um das mais importantes legados artísticos do País. Dentre os vários álbuns exclusivamente dedicados a ele, destaco o belíssimo “Aquarela do Brasil” (1980) de Gal Costa e o didático disco duplo “Ary Barroso, ontem e hoje” (2003), no qual há a presença de músicos contemporâneos ao compositor em um volume e no outro, releituras de sua obra feitas por intérpretes da atualidade. Por uma estranha ironia da vida, o artista nos deixou no domingo de Carnaval em 1964, quando o Império Serrano desfilava com um samba em sua homenagem, o antológico “Aquarela Brasileira”, de Silas Oliveira. Parabenizando alguém que foi universal sem deixar de ser totalmente devotado ao seu torrão natal, fica uma homenagem sintetizada numa pergunta que ele tanto ajudou a responder, “ISTO AQUI, O QUE É?”.

Johnny Rivers faz 74 anos hoje - Foto: divulgação

Continuando com JOHNNY RIVERS, cantor e compositor norte-americano nascido em 7 de NOVEMBRO de 1942. Mesmo tendo vivido o seu período de maior popularidade na década de 60, pode-se afirmar que o artista nunca saiu de moda e do coração do público. Basta observar o frisson provocado até hoje por canções como “Secret Agent Man” (utilizada em 1990 na trilha sonora do folhetim global “Araponga”), "Summer Rain", "Baby I Need Your Lovin”, "The Tracks of My Tears", “Do You Wanna Dance?" (citada no hit “Whisky a go go” d https://youtu.be/CnxDnVe27cAo Roupa Nova) e pela minha favorita, “POOR SIDE OF TOWN”.

Sharleen Spiteri comemora 49 anos - Foto: divulgação

O dia também é de reverência ao talento da cantora e compositora escocesa SHARLEEN SPITERI, nascida em 7 de NOVEMBRO de 1967. Ao longo de sua carreira, iniciada em fins dos anos 80, alterna trabalhos individuais com os vocais da banda Texas (o nome do grupo é uma homenagem ao premiado longa de Wim Wenders, “Paris,Texas”). Com o conjunto, possui o mérito de ter transformado os álbuns “Southside”, “White on Blonde” e “The Hush” em verdadeiros clássicos contemporâneos. Em sua trajetória solo, o destaque fica por conta de “Melody” e “The Movie Songbook” (que explicita mais uma vez sua admiração pela sétima arte e sua influência em suas escolhas musicais). Dentre as canções que sua voz torna inconfundíveis, podem ser citadas "In Our Lifetime", "Say What You Want" e "I DON’T WANT A LOVER”.

Lorde comemora 20 anos de vida - Foto: divulgação

Concluindo com a brilhante jovem instrumentista, cantora e compositora neozelandesa LORDE, nascida em 7 de NOVEMBRO de 1996, ou seja, há exatos 20 ANOS. Menina prodígio, canta e compõe desde os treze anos de idade, impressionando por sua surpreendente maturidade. Apesar de sua pequena discografia (composta apenas pelos álbuns “The Love Club” e “Pure Heroine”), já emplacou várias canções nos primeiros lugares das paradas nos dois lados do Atlântico, como por exemplo, "Glory and Gore”, “Team”, "Tennis Court" e "ROYALS”. Com uma playlist destas, tenho certeza de que meu apreço pela tradição, meu prazer pela contemporaneidade e minha esperança no futuro, estão plenamente assegurados.

Ladenilson Pereira

Ladenilson Pereira

Formado em História e Direito pela USP, Mestre em Educação pela Uninove, Professor Universitário na FALC (Faculdade da Aldeia de Carapicuíba), Professor de História no MED Vestibulares e também leciona na rede pública estadual paulista. Ele colabora com o Guitar Talks desde setembro de 2013. Exerce seu primeiro mandato como vereador de Carapicuíba.

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