03/03/2017 21:39 - Atualizado em 04/03/2017 21:30

As nuances de Vivaldi, Inezita Barroso e Gabriel, o Pensador

Ademilde Fonseca, Miriam Makeba, Lucio Dalla e Jan Garbarek também dão o brilho deste sábado

Redação
Hoje é Dia

Hoje é dia!
Por Ladenilson Pereira, professor e historiador


Os apreciadores das artes sonoras vão ganhar alguns quilos a mais pela quantidade de bolos de aniversário oferecidos nas festas promovidas pelos deuses da Música. Um desfile de talentos e estilos para ninguém botar defeito...

Antonio Vivaldi morreu no distante dia 28 de julho de 1741, em Viena, Áustria - Foto: arquivo

Tudo se inicia com o compositor erudito italiano ANTÔNIO VIVALDI, nascido em 4 de MARÇO de 1678. O “Padre Ruivo”, como também era chamado, nos legou mais de 700 músicas, dentre as quais, mais de 40 óperas (com destaque para “Orlando Furioso”). São igualmente célebres seus concertos como “La Stravaganza” e “AS QUATRO ESTAÇÕES”, com destaque para o popularíssimo trecho “A PRIMAVERA”.

Ademilde Fonseca faleceu no Rio de Janeiro em 27 de março de 2012 - Foto: arquivo

A nobreza dos ritmos continua com a presença da Rainha do Chorinho, a cantora ADEMILDE FONSECA, nascida em 4 de MARÇO de 1921. Em 1942, a artista cantou “Tico-Tico no Fubá” de Zequinha de Abreu com versos escritos por Eurico Barreiros. O sucesso foi tão grande que a música foi gravada no mesmo ano e a partir daí, o gênero que era marcadamente instrumental, passou a possuir letras. No ano seguinte, foi a vez de "Apanhei-te, cavaquinho", de Ernesto Nazareth, com letra de Darci de Oliveira e Benedito Lacerda, e "Urubu malandro", tema popular, que recebeu arranjos de Lourival de Carvalho e versos de João de Barro. Sambas e choros que fizeram sucesso em sua voz seriam regravados décadas depois por grandes nomes da MPB, como “Brasileirinho” (por Baby Consuelo) e “Teco-Teco” (por Gal Costa). Destaco em sua discografia, um LP de 1975, que tem seu nome no título, pelas faixas “Choro Chorão” (de Martinho da Vila) e "Títulos de Nobreza" ("Ademilde no Choro"), de João Bosco e Aldir Blanc, com letra referente aos vários sucessos da artista. Para uma cantora tão versátil, a homenagem só poderia vir com “O QUE VIER EU TRAÇO”, aliás, revisitado por Baby Consuelo nos anos 70.

Inezita Barroso nos deixou no dia 8 de março de 2015, em São Paulo - Foto: CEDOC TV Cultura

Todas as homenagens são insuficientes para a apresentadora, atriz, professora, folclorista, cantora e compositora INEZITA BARROSO, nascida em 4 de MARÇO de 1925. A partir da década de 40, destacou-se pela divulgação e resgate da mais autêntica música sertaneja. Como se não bastasse, conquistou prêmios como atriz de teatro e cinema, além de ser uma das apresentadoras mais longevas da TV brasileira (apresentou o programa “Viola, Minha Viola” de 1980 até poucos meses antes de seu falecimento). Doutora Honoris Causa em Folclore Brasileiro pela Universidade de Lisboa, ministrou cursos e palestras sobre o tema. Em sua vasta discografia, destaque para “Clássicos da Música Caipira”, "Inezita de todos os cantos", “Voz e viola" (com o violeiro Roberto Côrrea) e "Sou mais Brasil". É muito difícil escolher apenas uma música em seu repertório, mesmo assim, opto por “RONDA”, gravada em 1953 num disco de 78 Rotações, que possuía no outro lado a célebre “Marvada Pinga”.

Miriam Makeba partiu em 9 de novembro de 2008, quando estava na Itália - Foto: arquivo

O dia também assinala o aniversário de nascimento de “Mama África”, a ativista política, cantora e compositora sul-africana MIRIAM MAKEBA, nascida em 4 de MARÇO de 1932. Começou sua carreira na década de 50 interpretando ritmos africanos e blues. Em 1960, participou de “Come Back, África”, documentário de denúncia do regime do apartheid sul-africano. Na Inglaterra, conheceu o cantor e ativista norte-americano Harry Belafonte, que a convidou a ir aos Estados Unidos, onde gravaram o premiado álbum “An Evening with Belafonte/Makeba”. Em 1968, seu casamento com Stokely Carmichael, ligado ao Black Power e aos Panteras Negras, obrigou-a a deixar os EUA, vivendo posteriormente na Guiné e na Bélgica. Da artista, imortalizada por sua interpretação de “Pata Pata” (música que recebeu arranjo de Sivuca), destaco “UNDER AFRICAN SKIES”, lindo dueto com Paul Simon.

Lucio Dalla estava na Suíça quando partiu na data 1 de março de 2012 - Foto: arquivo

Além do erudito Padre Ruivo, o talento da Itália vem representado pelo poeta, cantor e compositor LUCIO DALLA, nascido em 4 de MARÇO de 1943. Em mais de cinco décadas de carreira, o artista produziu jazz, folk, a tradicional canção italiana e até mesmo obras inspiradas na música erudita (um bom exemplo é “Caruso”, gravada em dueto com Luciano Pavarotti e, que aqui no Brasil, foi interpretada por Zizi Possi). Admirador da música brasileira, foi amigo de Chico Buarque, responsável por “Minha História”, versão em português para a sua “GESÙBAMBINO”.

Jan Garbarek completa suas sete décadas de vida - Foto: divulgação

Ainda na Europa, mas influenciado pelo ritmo norte-americano do jazz, desfila seu talento o saxofonista e compositor norueguês JAN GARBAREK, nascido em 4 de MARÇO de 1947, isto é, há exatos 70 ANOS. Num estilo que alterna notas longas com pausas, é considerado um dos grandes nomes da world music contemporânea por haver incorporado à sua obra elementos do folk escandinavo ao jazz. Seus álbuns mais significativos são “Belonging”, “My Song”, “Personal Mountains” e “Officium”. Em seu vasto e qualificado repertório, minha predileção recai sobre “BROTHER WIND MARCH”.

Gabriel o Pensador faz 43 anos de reflexão - Foto: divulgação

Em grande estilo, a coluna só poderia terminar com um artista que tem como marca criatividade, irreverência, versatilidade, crítica e participação social. Falo do escritor, cantor e compositor GABRIEL, O PENSADOR, nascido em 4 de MARÇO de 1974. Dono de uma das obras mais intrigantes das últimas décadas, mescla elementos do rap, do samba, do pop e do rock, abordando temas como desigualdade social, preconceitos, corrupção, liberdade, igreja, polícia, pobreza, violência e racismo. Suas músicas, como bem disse o poeta e crítico Affonso Romano de Sant´Anna, podem ser ouvidas de modo ingênuo, divertido, numa apreciação superficial, ou de modo mais culto, percebendo-se a influência e o diálogo com a poesia, literatura, cinema e cultura pop. Dele, destaco “ESTUDO ERRADO”, mas tendo a certeza de que ele está correto em sua síntese sonora entre os ritmos e momentos da música.

Ladenilson Pereira

Ladenilson Pereira

Formado em História e Direito pela USP, Mestre em Educação pela Uninove, Professor Universitário na FALC (Faculdade da Aldeia de Carapicuíba), Professor de História no MED Vestibulares e também leciona na rede pública estadual paulista. Ele colabora com o Guitar Talks desde setembro de 2013. Exerce seu primeiro mandato como vereador de Carapicuíba.

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