09/05/2016 22:29 - Atualizado em 11/05/2016 00:10

"Hoje é dia" destaca a vida e a obra do cantor Bono Vox do U2

Coluna desta terça-feira pontua a importância da carreira de um relevante nome da música mundial

Redação
Hoje é Dia

Hoje é dia!
Por Ladenilson Pereira, professor e historiador

Poucas vezes o poder mobilizador e transformador do rock foi tão vivenciado em sua plenitude como pelo cantor e compositor irlandês BONO VOX, nascido em 10 de MAIO de 1960. Num período em que muitas bandas preferem seguir o confortável caminho da mesmice e da superficialidade, a banda U2, liderada pelo homenageado, continua a pautar seu trabalho por questões políticas, religiosas e sociais, assumindo o ônus de se posicionar diante dos grandes temas contemporâneos.

Conhecido como o cantor mais rico do mundo, Bono Vox completa 56 anos - Foto: divulgação

Tendo surgido como The Hype em 1976, o grupo adotou a denominação atual em 1980, ano do lançamento do álbum “Boy”. Apesar de esparsas críticas favoráveis e da execução de faixas como "11 O´Clock Tick Tock" e  "I Will Follow", em nada se poderia prever o estrondoso sucesso dos anos vindouros. Tampouco “October”, de 1981, conseguiu alterar esta situação. Foi apenas com “War”, em 1983 e o êxito de faixas como "New Year´s Day" e principalmente "SUNDAY BLOODY SUNDAY”, que se pôde verificar o surgimento de uma nova estrela na constelação do rock.

A demonstrar que o sucesso não havia sido fruto do acaso, o grupo lançou “The Unforgettable Fire” (1984), um álbum mais consistente e com mais canções de temática política. Vide "PRIDE (IN THE NAME OF LOVE)”, cuja letra abordava a trajetória de Martin Luther King. Além desta, “Bad” obteve boa repercussão, principalmente nas performances ao vivo. Já demonstrando seu caráter filantropo e de preocupação com as temáticas contemporâneas, o conjunto participou do “Live Aid”, mega show envolvendo as estrelas britânicas num esforço de angariar fundos para minorar o sofrimento dos famintos da Etiópia.

Os fãs mais exigentes preferem ressaltar a importância de “The Joshua Tree”, disco de 1987. Ali, observa-se um grupo mais maduro, consciente das limitações dos primeiros trabalhos. O grupo pesquisou para produzir um som mais consistente, com fundamentos no blues, no gospel e no folk. O aclamado e laureado trabalho apresenta faixas como "With or Without You" e "I STILL HAVEN’T FOUND WHAT I’M LOOKING FOR”, deixando a certeza de que não eram apenas um grupo de músicos com intuito comercial, mas indivíduos dispostos a produzir arte em seu grau mais sofisticado.

No início da década de 90, o U2 voltou a surpreender, vivenciando talvez, o seu período de maior criatividade. Surgiram álbuns como “Achtung Baby”, Zoo TV Tour” e “Zooropa”. A banda se reinventou mais uma vez, adotando uma postura crítica em relação a uma sociedade de consumo que então se globalizava de modo mais marcante, após o fim dos regimes socialistas no Leste Europeu. Destaque para as críticas à televisão em “Zoo TV” e canções como "The Wanderer" (com a participação de Johnny Cash), bem como as elaboradas "The Fly", "Mysterious Ways" e "ONE".

Após resultados relativamente mais fracos com os discos “Passengers”, “Pop” e “Popmart Tour” na segunda metade da década de 1990, o grupo ressurgiu com tudo em “All That You Can´t Leave Behind”, gravado no ano 2000 e “How to Dismantle an Atomic Bomb”, de 2004. Apareceram marcantes sucessos como “Vertigo” e a extremamente politizada “WALK ON”.

O grande problema de músicos deste porte é que público e crítica ficam querendo obras-primas a todo instante. Basta lembrar que uma obra como “No Line on the Horizon”, que para qualquer outro grupo seria considerado no mínimo um bom disco, para o quarteto irlandês é considerado um relativo fracasso. Ora, um músico que possui em seu rol de amizades líderes mundiais; que consegue a façanha de ser ouvido no Fórum Econômico Mundial em Davos; capaz de ser indicado em mais de uma oportunidade ao Nobel da Paz por seu ativismo, pode ser tudo, menos um artista comum. Se é verdade o ditado “Dize-me com quem andas e te direi quem és”, o aniversariante é no mínimo candidato à imortalidade. Exagero? Óbvio que não, basta se atentar aos duetos que já gravou. Citando apenas alguns, temos "MISS SARAJEVO" (com Luciano Pavarotti), "Slide Away" (duo com Michael Hutchence), “I Wanna Be Around” (ao lado de Tony Bennett), "Slow Dancing" (com Willie Nelson) e sobretudo, na última canção a ser registrada em videoclipe por Frank Sinatra, “I’ve Got You Under My Skin”. Mais que apenas belas músicas, marcas indeléveis de um artista pronto a fazer a diferença na arte, no planeta e na História.

Ladenilson Pereira

Ladenilson Pereira

Formado em História e Direito pela USP, Mestre em Educação pela Uninove, Professor Universitário na FALC (Faculdade da Aldeia de Carapicuíba), Professor de História no MED Vestibulares e também leciona na rede pública estadual paulista. Ele colabora com o Guitar Talks desde setembro de 2013. Exerce seu primeiro mandato como vereador de Carapicuíba.

COMENTÁRIOS

PUBLICIDADE

RELACIONADAS

FACEBOOK