09/11/2017 22:27 - Atualizado em 09/11/2017 22:31

Lenda punk Via Sacra toca em São Paulo e conversa com o Guitar Talks

Banda soteropolitana fez parte de clássica coletânea Ronda Alternativa e se apresenta pela primeira vez em São Paulo

Crysthian Gonçalves
Dica GT
Via Sacra - Foto: divulgação

O Via Sacra foi um dos percussores do movimento punk na Bahia durante os anos 80. O grupo atingiu reconhecimento em território nacional ao participar da coletânea Ronda Alternativa, lançada em 1987 pelo selo Devil Discos, que também revelou ao país diversos nomes do gênero. Quase 30 anos depois, a banda continua na ativa, hoje com status de lenda punk e se prepara para tocar em São Paulo pela primeira vez. 

Conversamos com o vocalista e fundador André Ramos sobre a história do Via Sacra e o que eles esperam de sua passagem por São Paulo. O trio faz show ao lado do Dance Of Days no Caveira Velha Rock Bar, em Jandira, no próximo dia 11 de novembro. 

Guitar Talks - Como e quando foi formado o Via Sacra?

André Ramos - Eu, Marcos Rodrigues (baixista e meu primo), mais Marcos Bau (vocal) éramos adolescentes, amigos e já ouvíamos punk rock em 86. Surgiu aí a vontade de montar uma banda, e claro que na época era bem tosca. Os equipamentos eram ruins, mas a vontade de fazer o som sempre superou tudo isso. O nome Via Sacra veio da necessidade de protestar contra a igreja. Jovens, anárquicos e com drive na veia pro som. Depois entrou o Adriano na bateria.

GT - Vocês fazem parte da clássica coletânea Ronda Alternativa com a faixa "Conflito". Como foi participar naquela época?

Nos anos 80 muitas bandas ficavam conhecidas pelas centenas de K7s que circulavam por aí. Um amigo gravava e aí já viu, multiplicidades total. Uma dessas fitas foi parar em São Paulo. O pessoal da Devil Discos ouviu e entrou em contato. Foi uma grande surpresa e ficamos super felizes. Claro que há 29 anos não sabíamos da proporção que uma coletânea como essa daria pra nós. Gravar em rolo, mandar pelo correio e depois receber o vinil em casa. Putz, muito legal, somos muito gratos a isso.

André Ramos - Foto: divulgação

Até hoje muita gente conhece não só o Via Sacra, mas as outras bandas que lá estão. Essas coisas perpetuam.

GT - Como era o movimento punk na Bahia? Vocês acompanhavam o que estava rolando em São Paulo na época?

O movimento sempre foi bacana. O que chegava aqui nós nos apropriávamos com unhas e dentes. Lojas como a Not Dead da Jadel sempre trazia coisas de São Paulo e do mundo a fora. Claro que no cenário musical muito devemos ao Camisa de Vênus. Querendo ou não foi uma das bandas que projetou aqui pra Brasil. Anos depois tive a Honra de tocar em outra banda com o Gustavo Mullen e Karl Hummel (recém falecido e grande amigo). Aqui na Bahia o som forte das guitarras distorcidas seduziram muitos garotos como eu. Escolher o punk rock foi a melhor escola pra mim. Ah, sem esquecer do Raul! Não só acompanhávamos o movimento punk, como já abrimos pro Cólera aqui em 87. Outra perda pro cenário nacional foi o Redson.

GT - Vocês estão na ativa e quais as diferenças você aponta entre ter uma banda naquela época e hoje?

Fora o amadurecimento de todos, claro, naquela época éramos mais moleques. Pouco sabíamos de equipamentos e hoje pra gente tocar ficou mais fácil. Possuímos melhores instrumentos e conhecimento de dinâmicas de palco. Entendemos mais plateia e executamos melhor os acordes. Mas creio que tem um detalhe ímpar aí... Antes com poucos esforços as Gigs eram mais cheias. O que observamos hoje é que, com todos os artifícios tecnológicos, muitas bandas acabam não andando muito. Vejo aqui no meu estúdio. Muita banda aparece, equipamento bacana, mas não anda. Creio que não se tira mais o som que se quer ouvir hoje do que os anos passados.

Acredito um pouco que esse retorno da gente muito está sendo vinculado no velho boca a boca. Nosso público e da nossa geração. Mas claro que vamos usar a rede pra levantar novos ouvintes. Ter uma banda hoje pra quem tá começando e autoral é foda.

Via Sacra - Foto: divulgação

GT - Como estão as expectativas para o show no Caveira Velha com o Dance of Days? Será o primeiro show de vocês em São Paulo? Aproveitando, deixa um recado pros nossos leitores!

Nossa, enorme! Sampa é responsa e sim, primeira vez. Será uma honra dividir o Palco com o Dance e esperamos uma plateia bacana pro evento. Cordas afinadas, set list impresso e Let´s Punk Rock. Aguardamos todos aí e como digo aqui a cada show: "Diversão garantida ou seus tímpanos de volta". Frase de um professor amigo meu na licenciatura.

Serviço

Via Sacra em Jandira - Caveira Velha Rock Bar
Dance of Days, Via Sacra, Eletrofolk, Visão Vermelha e Boot Jão
Abertura da casa: 18h
Ingressos: R$ 20
Veja mais sobre o evento aqui.

Crysthian Goncalves

Crysthian Gonçalves é jornalista especializado em música e fotógrafo. Atuou em algumas assessorias de imprensa e redações em São Paulo. Amante de música, viaja em influências que vão do hardcore ao jazz. Também é músico e compositor.

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