26/01/2017 12:32 - Atualizado em 02/02/2017 12:07

Sasha Grey, a previdência social e a volta por cima

A hora de construir algo novo é quando tudo desaba

Matheus Krempel
Hey Amigos!
Cena do filme ``Tempos Modernos´´ - Foto: reprodução

Hey Amigos!
Por Matheus Krempel

Hoje eu acordei com uma vontade imensa de não fazer nada. 

Sem ânimo para escrever essa e a outra coluna, sem vontade de fazer o meu programa de rádio, de cantar na minha banda ou até mesmo de cozinhar. Estou assimilando um golpe duríssimo, que comprometeu a minha tranquilidade e segurança.

Na terça-feira, após cinco anos, eu fui demitido da empresa em que eu trabalhava. De todos os sentimentos que eu poderia sentir, que vão desde um certo alívio até uma alegria estranha, o que fica mesmo nessas horas é a sensação de que falhei. É a falta de reconhecimento a anos de dedicação e comprometimento.

No final, tudo se resumiu a um "Muito Obrigado. Você é ótimo, mas não temos mais interesse em ter você com a gente". Ok. Essa não foi a primeira vez que eu fui demitido e nem será a última. Voltei pro mundão. Para a fila da Caixa Econômica e provavelmente vou atrás dos benefícios do governo, antes que algum filho da puta assine um decreto extinguindo esse auxílio.

Por outro lado, ganhei a liberdade. Não sei ao certo o que vou fazer com ela. Queria ter uma ideia genial, mas o máximo que eu consegui foi bolar um plano mirabolante no qual eu iria processar a empresa e receber uma bolada.

Foto: reprodução

Mas... Eu não sei. Acho uma bosta essas coisas e desencanei.

Quero ir pra frente. Sei que não é fácil ficar desempregado, no entanto, trabalhar com algo que não me dava mais prazer também estava me despedaçando. Por isso, ao invés de ficar chorando por aí (como eu já fiz e meus melhores amigos sabem muito bem) vou usar isso como um pé na bunda.

Óbvio que ser demitido é levar um pé na bunda. O que eu quero realmente é transformar esse pé na bunda em uma bela bicuda no períneo (períneo, Ok?! Decadence avec elegance). Uma bicuda gigante, que me faça subir e ir mais além do que eu jamais poderia sonhar.

Eu sempre falo que toda mudança é para melhor, mesmo as mais indigestas. Não posso e não vou me desmentir. Vou me reerguer. Vou tocar a minha guitarra, come rain or come shine, e mesmo se a corda da guitarra estourar e a minha correia soltar, o show não vai parar.Bate mais.

Eu vou cair, vou chorar e vou levantar mais forte ainda. Mesmo sabendo que amanhã vou tomar outra pancada. Isso é a vida. A vida, para mim, é se foder e seguir em frente. Nem todos pensam assim e eu entendo. 

A merda quando vem não chega parcelada em suaves parcelas. Ela chega forte como um pelotão de 10 homens bem dotados para cima da pobre aspirante a Porno star. É cruel.

E se a Sasha Grey um dia, aguentou o Gang Bang e deu a volta por cima, meu amigo, todo mundo tem o dever de fazer o mesmo. Não digo o Gang Bang, óbvio, que por sinal é uma das coisas mais bizarras e cruéis do entretenimento adulto… bom vocês entenderam.

É isso aí.

A partir de hoje eu sou a versão masculina da Sasha Grey.

Vou largar o porno, estrelar um filme em Hollywood, escrever um livro e defender a liberdade sexual feminina.

Matheus Krem... opa, a atriz Sasha Grey - Foto: divulgação

Ops… Tá, não é bem isso.

Sei lá, vocês entenderam, né?!

Ah… estou confuso demais para pensar direito, me desculpem. Aliás, eu nem sei como saiu algum texto hoje.

Agora falando bem sério… tem uma música da Rita Lee, que ela escreveu quando foi expulsa dos Mutantes, e que não sai da minha cabeça.

E ela vai assim:

"Não sei se eu estou pirando  
ou se as coisas estão melhorando
Não sei seu eu vou ter algum dinheiro
ou se eu só vou cantar no chuveiro
Estou no colo da Mãe Natureza
Ela toma conta da minha cabeça  
É que eu sei que não adianta mesmo a gente chorar
A Mamãe não dá sobremesa".

Bora lá!

Matheus Krempel

Matheus Krempel

Matheus Krempel toca desde 1995 no The Bombers e também canta no Reverendo Frankenstein. Já escreveu para o fanzine Rebel Magazine e colaborou com matérias para diversos sites como Zona Punk e Blog n´ Roll A tribuna. Há 10 anos atua no mercado da moda de luxo, na área administrativa, inclusive já tendo ministrado palestra na Faculdade Unisanta.

COMENTÁRIOS

PUBLICIDADE

RELACIONADAS

FACEBOOK