01/09/2016 10:23 - Atualizado em 08/09/2016 13:03

"Stay gold" e não empurre sua crença em mim

Seja você e não deixe que o Deus e o preconceito alheio te definam

Matheus Krempel
Hey Amigos!
Simplesmente pare... - Foto: reprodução

Hey Amigos!
Por Matheus Krempel

"With a world so black and white, boy… Stay gold".

Acredito que a ideia por trás de tudo é vir ao mundo e deixar a sua marca. Ser autêntico e prestar contas apenas consigo mesmo. Creio que o que alguns chamam de Deus, deveria ser chamado de consciência. "Deus" pune quando a "consciência" julga e acusa.

Já escutei cada baboseira religiosa que atualmente minha reação é apenas rir. Acho incrível como as pessoas fazem questão de transmitir culpas ao invés de transmitir amor e aceitação. Não é de se estranhar a incrível intolerância dos dias atuais.

Afinal de contas, fomos criados em uma sociedade que prega baboseiras do tipo "Deus castiga". Eu gostaria de saber que porra de Deus escreveu, o best seller, A Bíblia? E qual foi o que Deus se formou em direito, fica apontando o dedo para todo mundo e punindo quando acha necessário?

Jesus fundou alguma religião?
Deus é homofóbico?
Quem julga?

Em 1993 eu usava cabelos compridos e despenteados, que desciam até o meio das minhas costas, calça jeans surrada e tênis All Star sujo, além de um brinco de argola na orelha esquerda.

Charge: Carlos Latuff

Nessa época, eu me aceitava dessa maneira, meus pais me aceitavam e se havia um Deus que me punia, ele não se materializava como uma pessoa em especifico e sim como a famosa "Turma do Fundão" da minha classe.

Eu sofria terríveis bullyings de todos por ostentar esse "visual estranho". Apanhava quando ia jogar bola, era eleito o garoto mais feio e esquisito da classe, nunca tive uma namoradinha de infância e os meus melhores amigos eram tão estranhos quanto eu. Talvez nem tanto, mas tudo bem.

Mas não esqueçamos que, assim como o seu antivírus, as definições do que é legal e aceito são eventualmente atualizadas. E aí veio o colegial e com ele o grunge e o meu visual começou a ser aceito e usado por todos que frequentavam as baladinhas.

Eu me senti tão idiota e tão comum que certo dia acordei e fui até a barbearia e raspei a cabeça.

Pronto, problema resolvido. Eu não fazia mais parte da massa.

Acredito até hoje que se existe ‘um certo’ ele é o que a maioria não faz e a razão se esconde nas entranhas das minorias. Sempre busquei a verdade lá fora, assim como no Arquivo X.

Admito ter um pouco de preguiça de pessoas extremamente religiosas, principalmente as de perfil doutrinador, não me identifico muito com mau humor blasé, alegria histérica e por mais que eu tenha um perfil agregador, não acredito na amizade vinda de todos os tapinhas nas costas que recebo. E como diria o Public Enemy: "Don´t believe the Hype".

Por outro lado, não julgo. Apenas convivo.

Afinal, se "Deus" vive dentro de cada um de nós, então temos uma porrada de deuses diferentes andando, julgando e se punindo por aí.

Faça um favor a si mesmo, guarde seu Deus e os seus julgamentos para você. Em nenhuma circunstância force ou empurre nada goela abaixo dos outros. Isso causa ânsia de vômito.

Matheus Krempel

Matheus Krempel

Matheus Krempel toca desde 1995 no The Bombers e também canta no Reverendo Frankenstein. Já escreveu para o fanzine Rebel Magazine e colaborou com matérias para diversos sites como Zona Punk e Blog n´ Roll A tribuna. Há 10 anos atua no mercado da moda de luxo, na área administrativa, inclusive já tendo ministrado palestra na Faculdade Unisanta.

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