23/08/2016 21:40 - Atualizado em 24/08/2016 23:31

Versos e sons por Paulo Leminski, Paulo Coelho e Jean Michel Jarre

Literatura e música se flertam na coluna desta quarta-feira

Redação
Hoje é Dia

Hoje é dia!
Por Ladenilson Pereira, professor e historiador

Em tempos de pós-modernidade, no qual os limites entre as artes ficam cada vez mais indefinidos, nada mais adequado que homenagear dois bem-sucedidos escritores na composição de música popular, além de um mestre da new age. Assim, o apoteótico happy end fica mais do que garantido.

O curitibano Paulo Leminski morreu em sua terra natal no dia 7 de junho de 1989 - Foto: divulgação

Nossa história começa com o poeta e compositor PAULO LEMINSKI, nascido em 24 de AGOSTO de 1944. Para quem facilmente criava trocadilhos, jogos de palavras e trava-línguas, enveredar pela música popular foi relativamente fácil. Em 1976, surgiu sua primeira composição conhecida, “Festa feira", elaborada em parceria com Celso Loch e integrante do LP "MAPA - Movimento de Atuação Paiol". Cinco anos depois, apareceu seu primeiro sucesso radiofônico, “VERDURA”, gravado por Caetano Veloso no álbum “Outras Palavras”.

Na mesma época, o vate curitibano lançou outras pérolas, como “Valeu”, faixa-tema do LP de Paulinho Boca de Cantor. O conjunto A Cor do Som não deixou por menos e batizou seu álbum com outro poema-canção do homenageado, “Mudança de Estação”. Mostrando que o resultado fora altamente compensador, ambos os artistas outra vez recorreram ao escritor para a montagem do repertório de seus discos, respectivamente com “Se Houver Céu” e “Razão”. Porém, o seu grande êxito de 1982 foi com Ney Matogrosso, “PROMESSAS DEMAIS”, parceria com Moraes Moreira e Zeca Barreto que se tornou o tema de abertura da telenovela global “Paraíso”.

Aliás, Moraes Moreira foi um de seus maiores colaboradores e intérpretes, brilhando em diversas ocasiões. Em seu LP “Coisa Acesa”, foram incluídas três parcerias de ambos: “Baile no Meu Coração”, “Pernambuco Meu” e “Decote Pronunciado”. Não contente, em 1983, seu álbum “Pintando o 8” apresentava “Teu Cabelo” e “Oxalá”. No ano seguinte, foi a vez de “MANCHA DE DENDÊ NÃO SAI” se tornar a faixa-tema do disco e conquistar o Brasil. Sem contar “Alma de Guitarra” no vinil “Tocando a Vida”; além de “Desejos Manifestos” e “Morena Absoluta” em “Mestiço Isso”.

Dono de inegável ecletismo, o escritor conseguia fornecer a faixa-título para o trabalho da veterana Ângela Maria, “Sempre Ângela” e, ao mesmo tempo, estabelecer parceria com Guilherme Arantes para rechear o disco infantil "Pirlimpimpim 2" com "Milongueira da Serra Pelada", "O Prazer do poder", "Circo pirado", "Cadê vocês?", "Coração de vidro", "Frevo Palhaço", "Viva a Vitamina" e a radiofônica “XIXI NAS ESTRELAS”.

O mestre das letras ainda teve oportunidade, em seus últimos anos de vida, de criar ao lado de outros poetas de forte inserção no mundo musical, como Arnaldo Antunes (“UTI”), José Miguel Wisnik ("Polonaise", "Subir mais!”) e Edvaldo Santana ("Freguês distinto", "Mãos ao alto" e “O Deus”). Contudo, desta fase, o maior destaque ficou por conta de “FILHO DE SANTA MARIA”, parceria com Itamar Assumpção, gravada por Zizi Possi no CD “Mais Simples”.

Outro literário...

O escritor ícone brasileiro Paulo Coelho completa 69 anos - Foto: divulgação

Escritor brasileiro de maior renome internacional na atualidade, PAULO COELHO, nascido em 24 de AGOSTO de 1947, também apresenta significativas criações musicais. Quem curtiu o filme “Não Pare na Pista”, dirigido por Daniel Augusto, certamente irá se lembrar das parcerias com Raul Seixas. O Maluco Beleza foi o maior intérprete das criações do Mago. A tumultuada relação entre ambos resultou em joias como “As Minas do Rei Salomão”, “Al Capone”, “Cachorro Urubu”, “Eu Também Vou Reclamar” e “EU NASCI HÁ DEZ MIL ANOS ATRÁS”.

Sua capacidade de criar enredos que prendam a atenção (responsável por ter entre seus leitores celebridades, artistas de Hollywood e até mesmo, o ex-presidente americano Bill Clinton) também se manifesta na área musical, com algumas letras de versos com qualidade discutível, mas que se tornam difíceis de esquecer. Tal traço não escapou ao olhar atento da jornalista Hérica Marmo, em sua obra "A canção do mago - A trajetória musical de Paulo Coelho". Talvez o exemplar mais significativo esteja na indefectível “Sandra Rosa Madalena”, carro-chefe do repertório de Sidney Magal. Todavia, o livro também ressalta realizações felizes do escritor, como boa parte das faixas dos excelentes LPs “Fruto Proibido” e “Entradas e Bandeiras” de Rita Lee, gravados em meados dos anos 70, como “Esse tal de rock en row”, “O Toque” e “Bruxa Amarela”. Contudo, minha predileta dentre as colaborações entre ambos é a crítica “ARROMBOU A FESTA”.

E mágia segue...

O francês Jean Michel Jarre chega aos 68 anos - Foto: divulgação

O gran finale fica por conta de um outro mago, desta feita, o das luzes e sons. Falo do instrumentista, produtor musical e compositor francês JEAN MICHEL JARRE, nascido em 24 de AGOSTO de 1948. Sendo filho do exímio criador de trilhas sonoras Maurice Jarre, não poderia mesmo trilhar outro caminho em sua vida. Seu diferencial foi associar elementos da música eletrônica com a new age, resultando em trabalhos únicos que englobam efeitos sonoros e visuais. Seu premiado LP “Oxygène”, gravado em 1976, definiu as linhas mestras do gênero, sendo considerado um marco. Até hoje, suas faixas são paradigmas, como se pode atestar em “OXYGENE 2”.

A trilha aberta pela obra foi ampliada com o igualmente bom “Equinoxe”, gravado em 1978. A universalidade de sua proposta artística fez com que seus shows e álbuns fossem apreciados por públicos tão distintos entre si como o europeu, sul-americano e asiático. Aliás, conseguiu a proeza de ser o primeiro artista ocidental a realizar um espetáculo ao ar livre na República Popular da China. Embora suas produções mais recentes como “Sessions 2000”, “Geometry of Love” e “Téo & Téa” não tenham provocado a mesma empatia por parte do público, ainda foram suficientes para manter seu prestígio artístico. Dentre suas criações deste período, minha preferência recai sobre “RENDEZ-VOUS 4”. Sem malícia e trocadilho algum, marco um encontro para amanhã.

Ladenilson Pereira

Ladenilson Pereira

Formado em História e Direito pela USP, Mestre em Educação pela Uninove, Professor Universitário na FALC (Faculdade da Aldeia de Carapicuíba), Professor de História no MED Vestibulares e também leciona na rede pública estadual paulista. Ele colabora com o Guitar Talks desde setembro de 2013. Exerce seu primeiro mandato como vereador de Carapicuíba.

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