03/12/2012 18:11 - Atualizado em 14/01/2013 11:05

Fresno, hoje maior que as muralhas

Vavo conversa com o Guitar Talks sobre o novo álbum “Infinito”

Crysthian Gonçalves
Guitar Talks
Banda em uma das apresentações com a nova formação - Foto: Gustavo Vara

Eles lançaram o novo álbum “Infinito”, ousaram ao gravar um clipe audacioso e original que contou com imagens captadas no espaço, amadureceram, superaram diversos obstáculos, como a saída do baixista Tavares e a produção de um álbum de forma independente, mas não desistiram. Dos males que vieram para o bem, a união que a Fresno ganhou após todas essas batalhas provaram que hoje eles são “Maiores Que As Muralhas”. O momento atual dos gaúchos proporcionou um álbum em que eles se mostram com mais liberdade criativa, como comentou o guitarrista Gustavo Mantovani (Vavo) em entrevista ao Guitar Talks: “No “Infinito”, tudo, mas tudo mesmo foi feito a partir de decisões nossas”.

Não fugiram da zona de conforto que conquistaram através dos anos de carreira da banda, mas repaginaram o estilo de forma que comprova uma evolução notável. “Experimentamos muitas coisas novas, como um coral de crianças. Ou então as orquestras que gravamos em três músicas. Essa liberdade que tivemos nos deu espaço para ousar bastante.” Disse o guitarrista. 

Na entrevista que o Vavo concedeu ao Guitar Talks, ele conta um pouco sobre as influências de “Infinito”, a saída do Tavares, a responsabilidade de ser novamente uma banda independente e anuncia com exclusividade qual a próxima música no novo álbum que ganhará um clipe. 

Confira!

Lucas Silveira - Foto divulgação

Guitar Talks - Vocês se sentiram mais à vontade nas gravações de “Infinito” do que nas dos discos anteriores?

Vavo - A grande diferença do "Infinito" para os últimos discos foi a nossa responsabilidade total sobre a gravação / mixagem do disco. E essa liberdade que a gente passou a ter também nos gerou uma enorme responsabilidade. No "Infinito" tudo - mas tudo mesmo - foi feito a partir de decisões nossas. A produção, timbres, arranjos, composições, escolha do repertório. Respondendo à pergunta mais diretamente: sim, nos sentimos mais à vontade, mas sabendo o peso da responsabilidade que decorre disso tudo.

GT - O que influenciou a Fresno nas composições e melodias de “Infinito”?

Assim como todos os discos da Fresno, o "Infinito" reflete bem o momento da banda, tanto na questão das letras quanto dos arranjos. Às vezes nem percebemos isso na hora. Por exemplo, só hoje, 4 anos e meio depois, ao ouvir o disco "Redenção" eu entendo exatamente o que estava acontecendo com a gente naquela época de recém chegados em São Paulo. A mesma coisa com outros discos. Ouvindo o "Revanche", anos depois, e percebendo a carga emocional pesada das letras, eu vejo que a gente estava passando por um momento difícil e, por que não, até bem raivoso. O álbum "Infinito" reflete o nosso momento atual, de transição, de superar as dificuldades e obstáculos, de ser "Maior Que As Muralhas", de "Sobreviver e Acreditar" e de querer levar a banda ao "Infinito" e além. 

GT - O que há de diferente nesse novo álbum?

É mais um passo da evolução da Fresno. Experimentamos muitas coisas novas, como um coral de crianças. Ou então as orquestras que gravamos em três musicas, regidas pelo Lucas da Família Lima, amigo de longa data. Fizemos também uma música de mais de 7 minutos, com três mudanças de andamento. Essa liberdade que tivemos nos deu espaço para ousar bastante.

O guitarrista Vavo - Foto: Gustavo Vara

GT - A Fresno vêm apostando em arranjos orquestrados em suas novas músicas. A primeira faixa do disco, “Homem ao Mar”, tem um prelúdio de piano no final que antecede a faixa seguinte, “Infinito”, bem característico de algumas músicas da banda inglesa Muse. Esses elementos que foram acrescentados nas músicas, como o uso de piano, sintetizadores, corais e orquestras, são fruto de quê?

Influências musicais, primeiramente. Realmente, Muse é uma influência muito forte na Fresno, assim como outras bandas que também usam esses recursos. Além disso, a entrada do Mario na banda, nosso tecladista, contribuiu muito para o uso dos pianos e sintetizadores. Um dos motivos que o chamamos para a banda (há alguns anos, como músico contratado) foi justamente por o gosto dele ser muito parecido com o nosso. Ele gosta muito de Keane, Muse e outras bandas que usam e abusam dos teclados e sintetizadores. Isso ajudou muito na hora de montar os arranjos da Fresno.

GT - A faixa “Diga (Parte 2)” ganhou uma repaginação. Por que vocês a reinventaram nesse álbum?

Na verdade, existia uma primeira versão de "Diga" que foi feita para o "Revanche". Era uma balada no piano de quase 5 minutos de duração. Contudo, na hora de fechar repertório final do disco, ela ficou de fora. "Diga, parte 2" foi uma outra música que o Lucas fez que é uma resposta à primeira versão. Se na primeira versão a música fala sobre um cara apaixonado (Diga que não vai sair da minha vida / Diga que não passa de mentira / Quando dizem que o amor morreu), a parte dois é narrada na voz de um cara que terminou uma relação não muito tranquila (Diga que não volta mais pra minha vida / Que a nossa estrada é bipartida / Esqueça o dia em que me conheceu). Na segunda versão, a música deixou de ser uma balada para virar uma música que a abusa dsa guitarras e de vocais agressivos, que soam praticamente como um desabafo. 

GT - Após ter passado por uma grande gravadora, qual a diferença de estar no cenário independente novamente?

A responsabilidade que isso gera. Além da parte artística, de compor, gravar e tocar, a gente também passou gerenciar a banda em sua totalidade. Reuniões, decisões importantes e tudo mais. Contratamos todas as pessoas que estão trabalhando para nós. Montamos uma estrutura bacana. E estamos gostando. Ninguém quer mais o bem da tua banda do que tu mesmo, então o fato de nós mesmos nos "empresariarmos" está sendo muito proveitoso.

GT - Como foi a criação, produção e execução do clipe de “Infinito”?

Foi uma ideia maluca que o Lucas teve e que nós fomos mais malucos ainda de aceitar (risos). Mandar uma câmera para o espaço, buscar essa câmera e utilizar as imagens da Terra a quilômetros de distância dentro de uma história só pode ser loucura, mas aceitamos o desafio. Chamamos um diretor de nossa confiança: o Daniel Ferro, que já foi diretor de outros clipes e um DVD nosso. Ele gostou da ideia, e mandamos ver! A My Name Is Films foi responsável por toda a produção, que envolveu zilhões de coisas. O resultado foi o que todos viram. Imagens belíssimas, dentro de um enredo que incluiu crianças mais bonitas ainda nos representando quando pequenos. Deu um trabalho enorme, o custo também foi um tanto alto, mas o resultado valeu muito à pena!

GT - O Tavares afirmou em uma entrevista para a MTV que vocês souberam separar o lado profissional da amizade com a saída dele. Vocês ainda estão tocando sem baixista nos shows, por qual razão não chamaram outro baixista para substituí-lo? Quais as mudanças que a Fresno sofreu com a saída dele?

Estamos sem baixista. Na verdade nem é nossa prioridade colocar outro. Uma rápida história. Algumas semanas antes de o Tavares falar que ia sair da banda, o Lucas estava nos Estados Unidos e viu o show de uma banda que tinha uma formação inusitada, sem baixista. Quando o Tavares saiu, resolvemos experimentar esse modelo. O som do baixo está lá, tanto no show quanto no cd. A diferença é que não tem uma pessoa tocando no show. Ele foi pré-gravado e é disparado junto com umas trilhas que usamos há bastante tempo. A entrada de um integrante em uma banda não é tão simples assim como as pessoas pensam. Ele precisaria entender como tudo funciona, se adaptar à nova realidade, se dedicar 100% a Fresno. A saída do Tavares inclusive acabou criando uma união maior entre nós quatro, o que foi muito bom pra banda por esse lado.

GT - Vocês já têm ideias para um próximo clipe? Podemos esperar um tão bom quanto o de “Infinito”?

Ouso dizer que sim. O clipe será da música "Maior Que As Muralhas". Vai ser estilo documentário, totalmente focado em pessoas cuja vida impôs obstáculos e dificuldades, e elas têm que ser maior que as muralhas para superar e vencer na vida. Esse é o máximo de pista que eu posso dar. Deve sair em fevereiro do ano que vem.

GT - Obrigado pela entrevista. Gostariam de deixar um recado para seus fãs e leitores do Guitar Talks?

Valeu galera por toda a força! Para quem ainda não ouviu, escutem o "Infinito", nosso novo disco, que fizemos com muito carinho e muito trabalho. Para quem já ouviu, escutem mais e mais. Esse é o nosso maior prêmio: vocês escutando as nossas músicas. Compareçam aos shows e vamos deixar o rock cada vez maior!

Se você ainda não conferiu o clipe de “Infinito”, assista agora! 

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