01/03/2017 13:13 - Atualizado em 27/03/2017 11:23

Bratislava e sua "bipolaridade"; quarteto se prepara para tocar no Lollapalooza 2017

Victor Meira conversou com o GT sobre nova fase da banda

Felipe Madureira
Guitar Talks
Bratislava - Foto: Daniel Moura

O quarteto Bratislava é uma das atrações nacionais do Lollapalooza 2017 e anda compondo novas músicas que vão constar no próximo disco – ainda sem nome. O material que vem por aí mantém a “bipolaridade” da sonoridade do conjunto, só que a diferença é que Victor Meira (teclas/voz) está menos focado nas composições rítmicas.

“No disco anterior ("Um pouco mais de silêncio") eu tava numa vibe mais voltada ao instrumental e nesse agora (...) o meu processo criativo foi muito mais baseado nas letras e vozes”, explica Victor.

Outra característica mencionada por ele se refere à formação atual do Bratislava. “O que se pode esperar é um disco 100% Bratislava – feito pelos quatro. Nós estamos com uma sintonia que a gente nunca viveu. É o primeiro disco que conta com a mesma formação do começo ao fim (...)”, detalha Meira.

Eu recebi o músico no QG do Guitar Talks, num dia corrido em que tínhamos apenas 40 minutos de papo – depois Meira partiria para mais um ensaio. A conversa “buena onda” não passou de 20 minutos, contudo, a troca de ideias não foi rasa.

Bratislava - Foto: Daniel Moura

Outros dos assuntos em questão giraram em torno das bandas da cena atual, outros projetos musicais de Victor e o modo de divulgação utilizado pela banda no último disco.

O Bratislava é formado ainda por Alexandre (guitarra/vocais), Sandro (baixo) e Lucas (bateria). Saiba mais sobre eles lendo a entrevista abaixo.

GT - A banda curte muitos ruídos e timbres. De onde vem a inspiração para esses sons mais “estranhos”?

Victor Meira - Eu acho que basicamente vem dos sons que gostamos de escutar. E de um certo “veneninho” que a gente tem no coração. O que é muito convencional decepciona e a gente sempre busca algo que seja excitante de se ouvir. Mas às vezes o “limpinho” é o que não se espera e daí cai bem. Não tem regra.

GT - Na minha visão, o instrumental da banda é o que mais se destaca. Qual é a pegada da voz na Bratislava?

No disco anterior ("Um pouco mais de silêncio") eu tava numa vibe mais voltada ao instrumental e nesse agora (eles estão em processo de composição e gravação) o meu processo criativo foi muito mais baseado nas letras e vozes. 

Um elemento que não vai ter no novo disco é piano, por exemplo. Portanto, o meu papel no instrumental vai ser bem menor. 

GT - E nos shows, você vai ter um papel mais “frontman”?

Sim. Eu não gosto de banda que camufla o vocalista e coloca outras pessoas em destaque. Ainda mais quando o instrumento lead é a voz, no nosso caso.

GT - O que as pessoas podem esperar no material inédito do Bratislava? 

O que se pode esperar é um disco 100% Bratislava – feito pelos quatro. Nós estamos com uma sintonia que a gente nunca viveu. É o primeiro disco que conta com a mesma formação do começo ao fim. Todos os outros foram feitos em meio a entradas e saídas de membros.

Além disso, no próximo disco só há composições que tem menos de um ano – feitas com a formação atual (fixada há 2 anos e meio).

Bratislava - Foto: Daniel Moura

GT - Vai rolar “música boazinha e música malvada” como no disco “Carne “(2012)? 

Sim, a gente é meio bipolar nesse sentido (risos). Nesse disco vai ter música pesada e também música bem suave. Alguns amigos escutaram as novas faixas e comentaram: “esse disco tá mais 8 ou 80 ainda”.

GT - Qual foi o saldo final do último disco de vocês, "Um pouco mais de silêncio"? Fale um pouco sobre o modo de divulgação (zine), sonoridade, etc...

A experiência com o zine foi muito positiva e a gente vai voltar com esse formato pro terceiro disco. Nem nós nem o público sentimos falta do suporte CD. Sobre a campanha do disco, foi muito legal, viajamos bastante e tocamos em casas que nunca tínhamos tocado. 

"Um pouco mais de silêncio" abriu muitas portas pra gente e consolidou a formação atual da banda.

GT - A banda é composta por membros de várias partes do Brasil e vou fazer uma perguntinha meio viagem mesmo. Bratislava é meio que uma forma de trazer tudo o que vem de fora, macetar na cabeça de vocês para descobrir o som de dentro de cada membro da banda?

Sim (risos), a gente valoriza muito as referências de cada um. E somos muito abertos a vários estilos de som. Às vezes a gente tá compondo e fala isso não é rock, foda-se a gente coloca pra dentro e compõe em cima do que é legal pra nós. O que sentimos no coração.  

Bratislava - Foto: Daniel Moura

GT - Vocês imaginavam que um dia tocariam num festival da magnitude do Lollapalooza? 

Eu acho que toda banda sonha em um dia que vai tocar em um festival grande. O nosso maior público foi no “Conexão-BH”, para umas 700 pessoas, em 2013. Mas nem se compara, em termos de divulgação e nome. O conexão é um festival independente, muito bem produzido, mas é outra proposta. 

É legal ver os colegas de bandas que nós admiramos tocando lá como Baleia, O Terno e Boogarins. Bandas que estão no nosso cenário e você fica pensando, talvez dê, talvez dê pé. E uma hora chega nossa hora.

GT - O que você anda ouvindo da cena musical em que participa?


A maioria das coisas que eu ouço diariamente são bandas independentes nacionais. Eu gosto muito do que é feito aqui. Supercolisor, Carne Doce, Oto Gris, Ventre e Jennifer Lo-fi (que nem existe mais e fez um show recentemente).

GT - Victor me conte um pouco da Embrulhabanda.

A Bijou Monteiro (Blog Embrulhador), produtora e fundadora do projeto, começou a frequentar shows de músicos que ela pensava em chamar. E dai foi pinçando um por um, até que um dia ela marcou uma reunião e fez uma proposta. 

É sempre uma festa ensaiar junto e a experiência com a Ná Ozzetti (que fez parceria com o grupo) foi maravilhosa. No dia anterior ao show, que rolou na Casa do Mancha, faltou luz no estúdio. E a gente teve que fazer um som acústico à luz de velas. Mas foi muito legal e o show fluiu muito bem.

GT - E o Godasadog, que projeto é esse? 

O Godasadog é um projeto com o Adam Matschulat. Ele é radicado em Londres, mas passou o ano de 2013 aqui. É uma pegada bem diferente da Bratislava porque não tem banda tocando. Na live eu toco baixo e ele solta os samples no computador. Em outros shows eu toco piano e o adam solta os baixos no computador. 

O projeto agora é só de estúdio, pois meu parceiro continua lá em Londres. Tem dois discos, o segundo foi feito à distância. O primeiro era mais trip-hop, já o segundo é bastante difuso. É pop, mas também tem sonoridades esquisitas. Tem muitas referências.    

GT - Agora, mande o salve final para os leitores do GT e para quem curte o som de vocês e vai conferir essa entrevista.

A gente vai lançar disco novo no final de maio e a banda procura evoluir a cada lançamento. Fazemos tudo isso com muito carinho. Espero que vocês gostem e acompanhem a gente. Estamos muito felizes e vamos tocar muito por aí neste ano. Fiquem conosco!

Ouça o último disco do quarteto:

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