26/05/2017 13:07 - Atualizado em 26/05/2017 13:18

Sem ligar pro hype, Hazec tece suas skills e promete jogar gasolina na cena rap

Leia a entrevista com o rapper que bombou com clipe de “Tecelão” e que lança single e EP ainda em 2017

Felipe Madureira
Guitar Talks
Hazec - Foto: divulgação

Eu tava ouvindo A.X.L – “Herança Verde Escuro” e brisando, o cara é extraterreno – Rap do Vale do Paraíba, se é loko. Do Vale do Paraíba, lembrei da Paraíba, estado da minha mãe e um pouco meu também. 

Porra agora to brisando de fato, to “metendo a mala” não. O bang aqui é a entrevista com o Hazec, rapper e outro extraterreno – conhecido há anos pelo vulgo Jotace Rhazec. 

Hazec é uma referência ao hebraico Hazac (que significa força e coragem) e tem um teor esotérico também. Ele é geminiano, como os parceiros de rap Djonga, Filipe Ret e Kenye West. ”Sempre olhei pelo lado dos signos das pessoas”, explica o músico que há 3 anos também é produtor.

Natural da zona leste paulistana, Hazec, 27 anos, mora em Curitiba há alguns meses e fica no bate-volta. Numa dessas trip, ele gravou o sombrio clipe de “Tecelão” em meio a uma estonteante neblina de Paranapiacaba (vila pertencente a Santo André). “Tecelão” deu um “hype” e já bate a marca de 230 mil views.

A conversa girou sobre vários assuntos como a saturação da cena rap, “vingança“, “Sulicídio”, egotrip, multi silábica, punchline e poderia durar horas, foram “apenas” 50 minutos.

Hazec - Foto: divulgação

Hazec prepara um novo EP e já tá em fase final de produção do single “Skills Me”. “(...)Eu saí atirando pra todo lado.  Na “Tecelão” eu coloquei o fogo e na “Skills Me” eu vou jogar gasolina”, diz. Se liga na ideia!

GT – Salve! Fale um pouco sobre sua trajetória no rap.

Hazec - Eu perdi minha mãe muito cedo, com 7 anos. Então foi uma coisa natural que eu começasse a desabafar através de poesia. Com uns 14, 15 anos entrei no grupo Sentido Inverso e depois fiz parte do Projeto Rap Móvel ao lado de nomes como Nine Cabalista e Nocivo Shomon (também fiz 1 ano de segunda voz para ele). 

Comecei a frequentar batalhas de mc´s, lancei o EP “Mais Que Flow e Batida” (2012), alguns singles e clipes como "Silêncio do Poeta", “Meu Amor Beija-flor” e "Embriaguez!"-  considerado entre os 10 melhores de 2014 pelo site Vai Ser Rimando.

Fundei o grupo ALMA (Arma Lírica Musical da Alma), junto com o Lucas Felix, e faz 3 anos que eu produzo. Já produzi Helibrown, Tvs, Dukes, Blackdeath (NY), Badrani,  AmericAM. Após eu ter lançado o “Tecelão”, planejo mais um clipe e um EP para este ano.

GT - Você ficou uns 3 anos fora do rap, o que ficou fazendo nesse tempo? 

Eu acabei saindo do ALMA e fiquei esse tempo fora porque tava descontente com o rap. Tinha um projeto muito rápido pra sair e eu odeio pressão. Mas continuei a escrever muito e estudar biografias – principalmente de artistas de samba de partido alto. 

Escutei muita música, me apaixonei por salsa, música angolana. Tenho referências nomes como Kid Mc e Azagaia. Eu também gosto muito de música melancólica, além do samba, o trip-hop. 

GT - Trip-hop?

Sim, eu paralelamente ao rap to produzindo um disco de trip hop, com as baterias todas “fora do lugar”.  Estou também fazendo um EP sobre os orixás, totalmente diferente do que eu faço. Tem uma música sobre Exu que eu consegui colocar os atabaques juntos com o bumbo.

GT – Eu vi o clipe da faixa “Tecelão” e fiquei de cara. A parada deu um "hype" e acabou marcando sua retomada na carreira e bateu a marca de 230 mil views. Conta aí um pouco sobre a produção dele.                        

A “Tecelão” foi um bagulho muito louco. Eu tava parado, tinha acabado de me mudar para Curitiba e comecei a produzir muito. Em um celular gravei uma guia - apenas a primeira parte. Não tinha a segunda parte. 

Mandei pro Rubens Vaz Muller (diretor do clipe) e pro Zurk (RAP TV – canal do YouTube que cobre a cena e ajudou na divulgação do clipe). Os manos ficaram loucos com a parada e pediram para eu gravar a track.

Hazec - Foto: divulgação

Eu fiz rescisão do trampo que eu tinha em São Paulo e gastei o cash com passagem de ônibus, para gravar “Tecelão” no estúdio e para o clipe em Paranapiacaba. Gravamos o clipe na neblina, com Gopro e Iphone. Não imaginava a proporção que tomou, uma galera curtiu, Fabio Brazza veio trocar ideia, Eko do Atentado Napalm.

GT - E essa mudança de nome?

Sou esoterista, sempre olhei pelo lado dos signos das pessoas, entrei pro circulo esotérico, mudei meu nome de jotace Rhazec pra só Hazec. Pela parte numerológica e também porque é referência a um nome hebraico, Hazac, que significa força e coragem. Além da pronúncia, que é mais simples. 

GT - Como é esse lance de ser beatmaker também? 

Eu curto produzir, mas não ligo muito não. Prefiro rimar e produzir pra mim. Eu sou apaixonado pela construção da música, multi ssilábica, punchlines. Eu sempre prezei por isso. 

GT - Como você vê a cena rap atual?

A cena tá saturada, por causa da tecnologia. Tá fácil “falar que é um Mc”. Todo mundo quer rimar, todo mundo quer postar foto com microfone. Eu não acho ruim ser moda. O problema é que o que vai pro mainstream, geralmente, não é legal. 

Mas não tem tabu, eu odeio quem bate no peito: “eu sou o verdadeiro”. Até a futilidade é um sentimento. Rap nacional não tem discriminação. Eu não gosto de negócio de rap de mensagem. Tem muito cara que fala que faz rap de mensagem, mas é um cuzão na vida real. Faça o que quiser, mas tem que ser sincero.

Hazec - Foto: divulgação

GT - Egotrip pra porra rolando né?

Eu joguei muito egotrip na “Tecelão” - eu fiquei tirando 100% a galera da cena nova e eles gostaram da track, hypou. O público do rap tem fetiche em ser pisado, isso é um fato. Gosta de ver o cara falando que é bandido, que é foda, que come várias minas. Gosta de egotrip, do tipo “eu sou o rei dessa porra”. Que nem o Coruja diz: “o profeta das ruas voltou”.                        

E outra, todo mundo sabe que poesia é vingança - seja por algum sentimento, por amor.

GT – Vingança?

Nesse tempo que eu sai do ALMA eu fui tirado várias vezes - um de nego falando, “você fala que vai fazer CD e não faz”. Eles ficam puto que tenho mais visualização mesmo sem CD. Sem data de lançamento, sem porra nenhuma. E também, depois que você fica um pouco famoso, falam que é vendido. Antes você era um lixo (no underground) dai conquista um espaço já é taxado de vendido.

Tem vários manos vindo falar comigo (depois do hype de “Tecelão”). Eu já precisei de vários e eles sempre viraram as costas. Não vou perdoar. Nunca paguei pau pra ninguém, sempre fui humilde...uma pá querendo fazer participação, não vou fazer participação...vou fechar com quem fecha comigo.                        

GT - Você está gravando um single, o “Skills Me”, e diz que vai “jogar gasolina”...

A "Skills Me" tem 50 linhas piores do que “Tecelão” e vai ter mais investimento. Eu saí atirando pra todo lado.  Na “Tecelão” eu coloquei o fogo e na “Skills Me” eu vou jogar gasolina. Eu to guardando essa track faz muito tempo (risos).

“Skills Me” ficou bem punk, tem 4 baterias, a música é muito agressiva. Em questão de técnica, eu fiz coisa que não vi nego fazer, tipo quebra de linha. A faixa tem um duplo sentido: “Skills” (habilidade) e “Excuse Me” (dá licença). Aguardem (risos).           

GT – E o novo EP?


Vai incomodar gente pra caralho, “Skills Me” então, to até vendo. O conceito do álbum, que traz de 7 a 8 músicas, vem totalmente esotérico (o músico frisa a identidade com os rappers Djonga, Filipe Ret e Kenye West, que são geminianos como ele). 

Tem muita mensagem subliminar nas minhas músicas que ninguém pegou ainda, mas vão pegar. Eu sempre deixo escapar alguma coisa que vai falar o que vem no álbum. O nome do disco vai ser um código e tem a ver com Julio Cesar (nome de batismo do artista). 

O EP vai ter de tudo: punchlines, putaria, palavrão. Vai ser visceral, música de extremos.

Hazec - Foto: divulgação

GT – Em “Tecelão” há um trecho em que você fala “se o problema é geográfico, vocês já passaram do limite”. É uma referência a “treta” nordeste-sul que rolou em 2016?  

Não to falando deles (Diomedes Chinaski e Baco Exu do Blues, que lançaram a bomba “Sulicídio”). Porém eu peguei a treta para fazer uma punchline. Se liga...“Se o problema é geográfico, vocês já passaram do limite, estúdio dentro de casa e a rima fora do beat”

Então eu to falando que o mal não é essa treta, o mal é que tão superestimando uns bagulhos que são ruins. 

GT - Pra finalizar, manda um salve final para os leitores e seus fãs.

Putzz..Só meio ruim nessas coisas (risos). Só falo que eu vou vir com umas linhas de skill total, vai ter bastante conteúdo.

Confira o vídeo de "Tecelão":

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