10/09/2017 22:12 - Atualizado em 16/09/2017 00:56

O rumo ao norte de Lê Coelho e "Imirim", seu disco de experiências de vida

Segundo trabalho da carreira vem com “baterias retas” e saí via Matraca Records / YB

Felipe Madureira
Guitar Talks
Lê Coelho e banda - Foto: Pedro Ivo

São Paulo é um mundo com verdadeiras cidades dentro de cidades. Apenas a zona “lost” da capital agrupa mais gente que muito países mundo afora. Na zona norte há vários bairros com suas peculiaridades, lá mesmo, mais precisamente no Imirim, nasceu o músico Lê Coelho.

O bairro nomeia seu segundo disco, um lançamento do selo Matraca Records. O álbum foi gravado no YB Music Studio (local que também sedia o Matraca). Quem assina a produção é a dupla Ivan Gomes (o Boi) e Montorfano (o Chicão).

“(...) É uma maneira de homenagear o Imirim e as pessoas que moram ali”, explica o músico sobre o conceito do disco. Já a sonoridade bebe de fontes como samba, mpb e rap – principalmente em relação às baterias retas de “Imirim”. 

“(...) Nas ruas do Imirim foi onde eu aprendi a gostar de samba, pagode e rap. Meu camarada Mc Inútil, amigo querido há muitos, é quem mais me apresentou o hip-hop. O samba e o pagode sempre foram muito presentes no Imirim e na ZN como um todo(...)”, diz.

Lê Coelho apresenta ao público as faixas de “Imirim” no Sesc Pompeia na próxima sexta-feira, 15, em São Paulo. Conversamos um pouco sobre a nova fase do músico.

Saiba um pouco mais sobre o evento de lançamento do disco "Imirim" por aqui

Lê Coelho e banda - Foto: Pedro Ivo

GT - O que mudou com o seu segundo disco e por que “Imirim”?

Lê Coelho - Acho que a principal mudança foi eu ter gravado o disco praticamente só com guitarras no lugar do violão, e a produção ter caminhado pra um som mais minimalista, com arranjo de banda orgânico.

“Imirim” é o nome do bairro onde nasci e cresci (localizado na zona norte de São Paulo). É uma maneira de homenagear o Imirim e as pessoas que moram ali.

GT - A ZN (região norte da cidade de São Paulo) revelou alguns grandes nomes do rap, é um dos berços do samba paulista, além de concentrar diversas bandas de rock. Dá uma ideia de como foi crescer com esse leque de musicalidades da quebrada. 

Verdade, a ZN já revelou muita gente boa e tem muita música viva ali. Nas ruas do Imirim foi onde eu aprendi a gostar de samba, pagode e rap. Meu camarada Mc Inútil, amigo querido há muitos, é quem mais me apresentou o hip-hop. 

O samba e o pagode sempre foram muito presentes no Imirim e na ZN como um todo. Na minha casa, meus pais tinham muitos discos de MPB, e eu estudei violão erudito num conservatório lá no bairro. Tem um pouco de tudo isso aí no disco.

GT - O processo de gravação foi uma junção orgânica e ao mesmo tempo digital. Dá para fazer uma analogia com o conceito do seu disco – envolvendo “subúrbioXcidade”?

Pode ser, embora a gravação e a finalização passe inevitavelmente por um conversor digital, esse disco é bem analógico. Muito pelos periféricos da YB - estúdio onde gravamos - e pelo fato de termos gravado quase tudo tocando juntos. 

O lance do “subúrbioXcidade” é um problema gravíssimo em São Paulo. Estamos vivendo uma higienização e gentrificação que nada contribui para o cidadão paulistano, ao contrário, oprime aqueles que passam por mais dificuldades. E só criam vantagens para grandes empresários e alguns políticos.

GT - Como as participações especiais impactaram na sonoridade do disco?

As quatro participações - Thiago Melo, Claudia Noemi, Lineker e Lucas Sartório - representaram um impacto muito importante e signifcativo nas canções que cada um participou. Certamente a música teria ficado diferente sem eles, todos artistas de muito talento e personalidade muito forte. Um privilégio tê-los no disco.

Lê Coelho e banda - Foto: Pedro Ivo

GT - A “linha central” de “Imirim” são as baterias retas com suas cadências trazendo influências do rap. Fale um pouco sobre isso.

Isso foi uma decisão que pintou dirante os ensaios da pré-produção, direcionada principalmente pelos produtores Ivan Gomes (o Boi) e Montorfano (o Chicão). Eles acharam que isso tinha a ver com as canções e nos ensaios pintou naturalmente esse caminho.

GT - Como foi a sua parceria com o selo Matraca Records?

Eu conheci o João Antunes, um dos sócios do selo, nos bares da vida e ele me convidou pra gravar esse disco. Pra mim, é uma oportunidade muito bacana. Sou grato ao pessoal da Matraca e da YB, que é a gravadora onde fica sedidado o selo da Matraca.

GT - Agora é a hora do salve final – para os leitores e seus fãs.

Deixo aqui meu convite a ouvirem o disco pelas plataformas digitais e acompanharem meu canal no Youtube e minha página no Facebook. Farei um clipe de cada música e convido todos ao show que faremos no 15 de setembro, sexta, as 21h no teatro do SESC Pompeia lançando “Imirim”. Quem for nesse show, leva um CD pra casa de cortesia. Abraços a todos! 

Ouça “Imirim”:

Assista ao clipe de João Menino: 

Minidocumentários do disco, aqui o primeiro:

Making of das gravações:

Confira a capa em detalhes:

A arte da capa de Imirim é também de Pedro Ivo

COMENTÁRIOS

PUBLICIDADE

RELACIONADAS

FACEBOOK