07/10/2017 13:07 - Atualizado em 09/10/2017 16:57

Nenê Altro e os 20 anos de Dance of Days

Vocalista nos contou sobre nova fase da banda e as celebrações de duas décadas de dança dos dias

Crysthian Gonçalves
Guitar Talks
Dance of Days comemora duas décadas e pensa na produção de um acústico - Thiago Almeida

Por Crys Gonçalves
Edição final: Marcos Ferreira

Há cerca de um ano o Dance of Days anunciava via Billboard as novidades na formação e os projetos para sua celebração de 20 anos de estrada. 

No primeiro semestre de 2017 a banda gravou um single e fez 45 shows por todo país. Logo na sequência deu sold out no Hangar 110 e no dia 30 de setembro, botou a Audio inteira para cantar abrindo o show de lançamento do novo álbum do CPM 22. 

Fizemos seis perguntas ao vocalista Nenê Altro para falar sobre esse ano de muita correria e sobre os próximos passos da dança dos dias.

Guitar Talks - Salve Nenê! É um enorme prazer te receber mais uma vez aqui no Guitar Talks. Conta pra gente quais são as principais mudanças sonoras que o Dance of Days ganhou de um ano pra cá e o que você acha que influenciou nisso?

Nenê Altro - Todo “brand new start” traz consigo uma era diferente na história de uma banda, a energia muda, muitas vezes a sonoridade, e assim define-se um novo capítulo. Isso já aconteceu dezenas de vezes na história do Dance of Days e cada fase teve seus marcos e seus méritos. A banda agora está bem madura e com músicos de grande potencial, uma mentalidade diferente, equipe maior, novos conceitos de espetáculo. Tenho gostado muito. Musicalmente o som está mais clean, mais “tight”, contudo não necessariamente mais leve, e era isso que eu e o Verardi estávamos buscando. Na verdade superou as nossas expectativas!

No Hangar 110 - Foto: Igor Moura

GT - O single "Quintessência" é uma prévia dessa nova sonoridade do Dance of Days? 

Sim e não, Crys. O single já era um planejamento antigo para o início de 2017. Desde antes do “Amor-Fati” tínhamos em mente lançar algum material na discografia que registrasse os 20 anos de banda e o “Quintessência” captou bem o momento desse novo capítulo. Com ele fizemos a tour ‘roots’ do primeiro semestre, na qual realizamos 45 shows, e com certeza ele cumpriu o seu papel e deu o seu recado. Entretanto, eu sinto que o próximo registro plugado vai trazer bem mais a cara e a energia dessa nova fase, até porque foi um ano inteiro de entrosamento e amadurecimento.

GT - Vocês fizeram um show de despedida do Hangar 110 com sold out de ingressos e que muita gente ainda ficou pra fora sem poder entrar. Qual foi o sentimento de tocar pela última vez num lugar que foi tão icônico pra carreira de vocês durante esses 20 anos? 

Foi mágico ver a casa transbordando de gente, cantando junto todas as músicas de ponta a ponta e sentir que nosso público nos apoia, não importa qual fase a banda atravesse. Que para todas as crianças do campo a frequência segue no ar na dança dos dias e que seguir então é sempre o mais importante. Posso dizer com toda a certeza que após aquela noite saímos de lá com uma memória que levaremos conosco para o resto de nossas vidas. Mas, foi uma dor no coração saber que pisamos pela última vez no palco daquela casa que tanto marcou os diferentes capítulos de nossa história. 

GT - Não é qualquer banda que se mantém viva após 20 anos de carreira. E se tem uma banda que sempre foi exemplo de correria e entrega ao cenário underground e independente é o Dance of Days. Pra você, nessas duas décadas o que mudou na cena? 

Atravessamos muita coisa em todo esse tempo de banda, mas sempre acreditamos muito na sabedoria da estrada, no trabalho, no dia após dia e seguimos tendo como norte o amor por tudo o que fazemos. Comento sempre isso com minha esposa, muitos dizem que o romantismo do rock independente se perdeu com o passar dos anos, mas nós que tocamos pelo país inteiro, que temos uma relação direta com nosso público, sabemos que está tudo aí ainda, vivo, pulsante e ansioso. O que falta mesmo é a conexão entre as cenas que resistem em cada região, o que é um paradoxo numa época em que a própria `era da conexão virtual´ é tão celebrada.

Dance fazendo as paredes falarem e lavando o público às estrelas na Audio - Foto: Thiago Almeida

GT - Fazendo um balanço desses 20 anos de carreira, talvez o que ainda faltava para vocês era um registro acústico e parece que vocês estão planejando concretizar isto. Conta pra gente o que podemos esperar desse registro, como tem sido selecionar as faixas e a trabalhar nessa produção. 

Essa também é uma ideia muito antiga. Pensamos em fazer algo semelhante nos 15 anos de banda. Se não me engano chegamos até a anunciar algo na época, mas era tudo muito corrido e não vingou. Acho que o que faltava era uma mudança conceitual na banda, uma maturação, e isso, por bem ou por mal, ganhamos com todas as turbulências vencidas. Hoje o Dance of Days é uma banda que aprendeu a trabalhar com calma, sem a urgência que por vezes deixava arestas rudimentares. Nosso cuidado maior é com que o acústico soe acústico mesmo, não “unplugged”. Estamos selecionando e produzindo com carinho. A ideia é gravar no começo do ano que vem, mas acima de tudo é uma ideia, não um deadline. Vamos gravar quando sentirmos que está realmente pronto para ser registrado.

GT - Muito obrigado pela conversa e como sempre é um enorme prazer conversar contigo. Pra encerrar, conta pra gente quais os próximos passos do DOD e deixe um recado para os fãs e nossos leitores!

Eu que agradeço novamente Crys, pelo espaço e por comemorar essa data no Guitar Talks. Nós seguiremos na estrada fazendo alguns shows especiais de 20 anos, tocando apenas músicas de nossos três primeiros álbuns, primeiro com foco em São Paulo e interior nesse último bimestre do ano e na sequência partindo com esse show para outros estados. Enquanto isso nós temos alguns festivais e tours em negociação para o começo do ano e seguiremos trabalhando na produção do nosso primeiro trabalho acústico. Que 2018 venha com tudo e celebre com toda força o início da terceira década da dança dos dias!

Dance of Days e suas `crianças do campo´ dando sold out na despedida do Hangar 110 - Foto: Igor Moura

Confira os próximos shows da banda:

02/11 - Casamarela - São Bernardo do Campo
04/11 - Fofinho Rock Bar - São Paulo
05/11 - Hocus Pocus - São José dos Campos
12/11 - Studio 1100 - Diadema

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