16/10/2017 22:15 - Atualizado em 26/10/2017 10:46

"O rap é uma árvore de muitos galhos e frutos", diz Marcílio Gabriel, do Freestyle

Entrevistamos o “comunicador da quebrada” que fala sobre mudanças no estilo e sobre o programa que está na fase final de campanha de financiamento coletivo no Catarse

Felipe Madureira
Guitar Talks

Marcílio Gabriel é um amante das antigas do rap. Aos 31 anos, ele acompanha o gênero há mais de 20 anos – quando ouviu a track "De quem é essa mulher", de Ndee Naldinho. As raízes black vêm do pai, que era DJ de baile de funk music. Desde 2006, ele comanda o programa web Freestyle – entrevistando revelações e baluartes do rap nacional. Dê um ligo no canal.

O programa está na fase final de uma campanha de financiamento coletivo com o intuito de reestruturar a parada e não deixar a chama do hip-hop morrer (acesse o link e saiba mais). 

Confira na sequência um breve papo que tivemos com Marcílio:

Guitar Talks - Qual artista você teve contato no “Freestyle” e pensou “wow, eu não acredito que to na frente” dele(a)?

Marcílio Gabriel - Por ser exatamente minha profissão e por já ter me acostumado a estar de frente com diversas personalidades (não só do rap), acho que nunca tive uma reação assim. 

Mas pela importância e por tudo que representa, o Mano Brown foi uma grande realização. Desde quando comecei a fazer o programa Freestyle, sempre quis entrevistar o Brown.

Entrevista com o Bomba (SP Funk) - Foto: divulgação

Já tinha entrevistado o Kl Jay e o Edi Rock, contudo ter entrevistado o Mano Brown somente 11 anos depois de ter começado o programa acredito que tenha sido no momento certo.

Com amadurecimento profissional, a experiência de conduzir entrevistas - tudo isso conquistado através da bagagem de trabalhar em grandes veículos de comunicação de São Paulo.

GT - O que você acha da nova geração do rap?


Eu ouço tudo que é lançado, tudo que me mandam, mas mais por jornalismo mesmo, por querer estar conectado e acompanhar a cena. Isso não significa que eu consuma ou goste de tudo que ouço.

Tem música que paro de ouvir no primeiro minuto por realmente não me agradar. Na entrevista que fiz com o Bomba do SP Funk, ele comenta que “a nova geração tirou o rap do hospital”. Em alguns pontos essa colocação faz sentido.

Obviamente que a internet contribuiu muito com essa expansão e tudo que se expande muito abre lacunas, principalmente na questão de ideologia - que sempre foi pauta no rap. A nova geração pode não ter a firmeza que gerações anteriores tiveram, mas tem o gás que as gerações anteriores não tiveram.

GT - O que mudou?

Bastante coisa mudou, umas para melhor e outras para pior. Inegavelmente houve evolução em muitos pontos - acesso, produção e distribuição da sua obra, da sua arte. Quando digo que teve coisa que mudou para pior é no sentido de força e convicção de ideias em letras de alguns artistas que atraem um público numeroso. 

Nos anos 90/2000 uma das frases mais marcantes era "poder para o povo preto", hoje tem letra que fala "foda-se a cor" e como não suficiente na sequência da mesma linha o cara fala que vai ensinar macho a adestrar mulher, é nesse sentido que falo que mudou para a pior. 

Mas as transformações existem, isso é na vida, nas pessoas e com o rap não seria diferente. Costumo dizer,  o rap é uma árvore de muitos galhos e frutos, tem galhos e frutos pra todo mundo, fica de cada um escolher em qual e com qual vai ficar.

GT - Agora dê um salve final pra galera!

Pô, você me lembrou agora da época em que ouvia o Espaço Rap da 105 FM a milhão e aí tinha (acho que ainda tem) o momento que o ouvinte entrava no ar e mandava um salve pra quebrada, pros parceiros, pra mãe... 

Bom, agradeço poder bater um papo aqui, é importante, pois eu faço parte da cena empenhando um trabalho não muito popular que é o de comunicador, então é sempre bom poder falar sobre esta área e passar um pouco do que a gente aprendeu desenvolvendo-a. Valeu e espero que essa troca de ideia aqui seja de bom proveito.

Confira a entrevista com Mano Brown:

E com o Bomba (SP Funk):

Se liga na parte 2:

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