05/07/2017 14:17 - Atualizado em 28/08/2017 18:49

Alf Sá estreia em carreira solo e apresenta sua "regressão espiritual-musical"

"Você Já Está Aqui" (HBB) remonta as influências do músico com caldeirão sonoro que conta com surf-music, baião, música eletrônica, new wave e glam rock

Felipe Madureira
Guitar Talks
Alf Sá - Foto: Ronaldo Franco

Alf Sá fez história com o Rumbora nos anos 90, sendo uma das bandas de Brasília de maior destaque na época. O grupo assinou contrato com a renomada Trama, tocou no Rock in Rio 3, mas deu adeus aos palcos no meio da década passada.

O tempo passou e Alf seguiu novos caminhos, chegou a fazer parte de outros grupos como Supergalo, Câmbio Negro e Raimundos. Mas já era hora da carreira solo. Referência na cena underground, a gravadora Hearts Bleed Blue (HBB) ficou encubida de lançar seu primeiro disco solo e foi aí que nasceu "Você Já Está Aqui".  

Para ele, essa nova fase é uma espécie de “regressão espiritual-musical”. “Fui na fonte de artistas e estilos que foram me formando como músico desde criança. Rock inglês, música negra, batuque, instrumentos eletrônicos. Letras que contam estórias. Um disco onde o groove manda não importa qual caminho eu tenha decidido pra cada canção”, diz o músico.

"Você Já Está Aqui" conta com participações especiais de Black Alien, Fred Castro (Raimundos/Supergalo/Autoramas), PJ (Jota Quest), Deb Babilônia (Deb & The Mentals), Pedro Souto (Almirante Shiva), Malásia (Ultramen) e Iuri Rio Branco.

A linguagem foi algo que Alf também seguiu os mínimos detalhes, trabalhando conceitos ao lado de Luciana Tolentino. “(...) Gosto de canções que eu “enxergue”, então, desde o começo fui me abastecendo de imagens que ajudassem a contá-las (...)”, explica.

Confira a conversa que tivemos com Alf Sá e ouça o álbum do músico no final de sua leitura.

Alf Sá - Foto: Ronaldo Franco

GT - Me fala um pouco do conceito do seu primeiro disco solo, “Você Já Está Aqui” (HBB).

Alf Sá - O álbum “Você já está aqui” é uma espécie de regressão espiritual-musical pra mim. Fui na fonte de artistas e estilos que foram me formando como músico desde criança. Rock inglês, música negra, batuque, instrumentos eletrônicos. Letras que contam estórias. Um disco onde o groove manda não importa qual caminho eu tenha decidido pra cada canção. Foi todo criado e pré-produzido no meu quarto comigo tocando todos os instrumentos. 

GT - Você chamou uma rapaziada firmeza para participar do trampo.

Sim. Quando chegou a hora de levá-lo (o álbum) pro mundo decidi por regravar em vários estúdios e chamar os amigos pra participar. Pras baterias, Iuri Rio Branco que já é da minha banda “ao vivo” desde 2013 e meu parceiro de longa data Fred Castro. Pras percussões, Luciano Malásia (Ultramen). 

Na faixa “Sex no banheiro”, Pedro Souto (Almirante Shiva) toca baixo e Deb Babilônia (Deb & The Mentals) faz os backings. Em “Mandinga”, Pj (Jota Quest) faz os overdubs de envelope bass e na faixa “Através do Espelho” tem o mestre Black Alien. Dividindo a produção, tive o Biu, meu parceiro de Rumbora e que manja muito de captação e engenharia de som.

GT - O seu som parece estar com uma pegada mais garage/surf music. É essencialmente rock, mas com outras influências, como o uso de sintetizadores e a referência à música negra. O que você anda ouvindo?

Você deve estar se referindo á “Sex no Banheiro” quando fala de garage/surf  music, né? Tem um pouco disso e mais mil outras referências. Baião, música eletrônica, new wave, glam rock. Minhas músicas nunca são uma coisa só. Sempre ouvi de (quase) tudo e continuo assim. Isso já tinha aparecido em trabalhos anteriores, mas talvez agora tenha ficado mais bem traduzido. 

Amo a música negra desde criança. Minha formação como baixista (que é crucial no álbum) é primordialmente funk e soul. Quanto aos sintetizadores, são uma paixão desde sempre também. A primeira banda que eu pirei e ouvia ininterruptamente foi o Kraftwerk quando eu tinha uns 6, 7 anos.

GT - Você deu bastante importância para a linguagem visual do disco. Como foi esse processo criativo?

Todas as canções do disco contam estórias. Gosto de canções que eu “enxergue”, então, desde o começo fui me abastecendo de imagens que ajudassem a contá-las. Quando chegou a hora de cuidar da capa e do encarte, apresentei as idéias e o que eu já tinha pra minha namorada, Luciana Tolentino, que é artista visual.

Alf Sá - Foto: Ronaldo Franco

Daí fomos desenvolvendo. Ela desenhando, a gente descobrindo novas referências e caminhos, fazendo colagens até achar o ponto pra ilustração de cada música. Depois, contratei um ilustrador que manjasse de digital pra traduzir o que ela tinha desenhado na mão e o dirigimos.

GT - Qual sua relação com as bandas mais novas?

De algumas, bem próxima. Não dá pra conhecer todo mundo, mas, eu tento. Agora que caio no mundo com o novo show espero esbarrar e dividir os palcos com muitos deles. 

Gosto bastante do Moxine, Inky, Almirante Shiva, FingerFingerrr, Samuca & A Selva, Joe Silhueta, Mdnght Mdnght, Water Rats, Deb & The Mentals, Mel Azul, Der Baum e verias outras. Tem muita banda boa rolando.

GT - Como é fazer parte de uma gravadora independente (HBB) que vem batalhando fortemente no cenário alternativo?

É fazer parte da guerrilha do independente. Vamos unindo forças cada um com sua parte. É massa fazer parte de um casting com bandas tão legais que já vem fazendo história no nosso rock.

GT - A última questão é um “salve final” para fãs e leitores e leitoras do GT.

Salve, salve, todo mundo ligado aqui no GT. Tô na área com álbum novo e botando o som na rua. Quero encontrar cada um de vocês nos shows para nos divertimos muito juntos. Vamos manter contato pelas redes também para saberem de tudo que está rolando. Em todas estou como @alfsamusic, blz? Espero vocês lá. Serão muito bem vindos! Salud! 

Ouça "Você Já Está Aqui":

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