27/04/2018 04:38 - Atualizado em 27/04/2018 12:40

Os Spoilers tocam álbum de estreia do Oasis

Sem querer dar “Spoilers”, mas precisamos te contar que alguns ícones do rock brasileiro se juntaram e montaram uma banda

Crysthian Gonçalves
Guitar Talks
Foto: divulgao

Quando nomes importantes do rock nacional se juntam e montam uma banda, é de se esperar algo bom. E é isso que Os Spoilers fizeram ao reunir um time de peso com Johnny Zanei (ex-Orgânica), Bacalhau (Ultraje a Rigor), Emílio Carrera (ex-Secos e Molhados), Martin (Pitty) e Daniel Tessler (Os Efervescentes). 

Com a proposta de não ser uma banda cover, mas criar versões de clássicos, Os Spoilers fazem em seus shows um tributo ao rock and roll em sua melhor forma. Sempre contam com convidados especiais nos vocais em suas apresentações como Egípcio, João Suplicy, Lia Paris, entre outros.
Dessa vez resolveram convidar Beto Bruno (Cachorro Grande) para uma homenagem ao Oasis, tocando na íntegra seu disco de estreia “Definitely Maybe” no Feeling, em São Paulo. 

Os integrantes vêm se preparando para esse show, que será o primeiro da temporada Feeling Rock Stars, que acontecerá mensalmente na casa localizada na Vila Mariana. O projeto vai realizar diversos tributos ao rock com Os Spoilers, sempre com um convidado especial.

O Guitar Talks conversou com “a cozinha” d’Os Spoilers, o baterista Bacalhau e o baixista Johnny Zanei no local do show e eles nos contaram tudo sobre a banda e os detalhes do show que deve agradar fãs dos irmãos Gallagher.

Foto: divulgao

GT - Como foi idealizada a ideia de montar esse time de peso e Os Spoilers? 

Johnny - Cara, depois que acabou a banda Orgânica, que eu tinha com o Bacalhau, nós fizemos outros projetos e eu estava a fim de montar uma banda séria de novo.

Bacalhau - Os Spoilers começou com o Johnny. A gente sempre tocou junto e queríamos continuar fazendo essa parada. E ele veio com a ideia de chamar o Marcelo Gross, que nos indicou o Rafa pra gente montar o time. A semente d’Os Spoilers foi esse quarteto e partiu dessa nossa vontade de tocar juntos. Imaginamos que montar um grupo tocando as bandas que nos influenciamos seria um bom começo para isso, porque não é uma banda exatamente de cover. Nós fazemos versões de músicas. Não tocamos exatamente igual, tem uma pegada diferente. 

GT - Por que o nome Os Spoilers?

Johnny - Foi ideia do Gross.GT - Hoje ele não toca mais com vocês?

Bacalheu - É que ele lançou o disco dele, "Chumbo e Pluma", e ficou muito envolvido com esse projeto todo. Então começou a não dar para bater as agendas e para não haver esse problema chegamos num acordo tranquilo. 

Johnny - E nisso entraram o Martin e o Emílio Carrera, que dispensam comentários. 

Bacalhau - E caíram como uma luva. O Martin é muito eclético, flui no instrumento e é demais tocar com ele. E o Emílio pra gente é uma honra, porque ele é tecladista dos Secos e Molhados que foi a primeira banda de rock grande do Brasil, que tocou em estádios. É demais tocar com ele. Eu vinha o amaciando há tempos, convidando, até que passou um tempo e rolou um evento beneficente e a gente resolveu se apresentar. Ele se dispôs a tocar e desenvolver um repertório. Tocamos Secos e Molhados, Ray Charles, Chuck Berry, Little Richard, com músicas que tem piano e foi fantástico. O Emílio mudou o som da banda totalmente e quando acabou o primeiro ensaio ele não acreditou, foi como se tivesse mexido em locais adormecidos e ele entrou na banda. 

GT - Como é conciliar todas as bandas para vocês?

Bacalhau - Cara, é simples. A gente abre a agenda e marcamos shows com antecedência.

Foto: divulgao

GT - Vocês são músicos de bandas de rock, mas cada integrante deve ter uma referência na música. Quais são as de vocês? 

Johnny - Cara, eu gosto muito de rock dos anos 60, 70 e 90. Sou muito ligado em Britpop como Oasis, The Verve, Blur. E clássicos como Beatles, Stones, The Who. São coisas que sempre ouvi muito. E acabei me adaptando muito na cena dos anos 90 e estou até hoje. 

Bacalheu – Eu, de verdade, sem exagero, ouço de tudo. Tenho coleção de vinil em casa e se você for lá vai achar discos de repente, de música eletrônica, de jazz, música clássica, MPB, forró, música afro. Escuto de tudo porque minha mãe e meu pai sempre foram ecléticos. Apesar de não serem musicistas, sempre tinha música tocando em casa. Meu pai ouvia David Bowie, Earth Wind and Fire e Zé Ramalho. Minha mãe ouvia Elis Regina, Kraftwerk, Van Halen. O primeiro disco que ela deu para mim e para o meu irmão foi o “Led Zeppelin IV”. Sempre foi natural para nós ouvir de tudo. A gente identifica afinidades pra cada estilo.

Johnny - E o Bacalhau abriu muito meu leque pra sair só do rock. Eu descobri vários discos com ele que achei que não iria gostar, mas que depois de ouvir me impressionou como o Clube da Esquina, que é um disco mais rock and roll do que muita banda.

Bacalhau - Tem alguns discos que é impossível eu colocar e não chorar. Clube da Esquina é um deles. Uma pessoa que ouvir aquele disco e não se emocionar realmente é uma pessoa muito dura. Elis Regina eu coloco e no segundo compasso já estou chorando porque é de verdade.

Foto: divulgao

GT - Falando sobre esse show da Feeling. Por que vocês escolheram tocar o "Definitely Maybe"?

Johnny - Cara, Oasis. Todo mundo na banda é fã. 

Bacalhau - Quem me introduziu Oasis foi o Johnny. Eu gostava, ouvia uma música ou outra, mas era uma banda que nunca tinha me chamado atenção. Então eu ouvia os hits e não me chamava atenção até o dia que o Johnny chegou e falou: "velho, ouve esse disco aqui". De uns dois anos atrás para cá que comecei a ouvir e o Johnny foi me explicando o contexto da época. Aconselho a todo mundo que está lendo a entrevista a assistir o documentário "Supersonic" para verem o que é uma trajetória de uma banda. Você pode achar o Noel chato, eu também o acho meio xarope, mas eu só quero saber é da música.

GT - Ele te elogiou no The Noite, né? O que você achou?

Bacalhau - Ah, é legal quando a gente recebe um elogio e quando reconhecem seu trabalho. A gente fica feliz.

Johnny - Todo mundo na banda gosta de Oasis, mas a ideia principal foi do Beto. Ele optou por fazer porque ninguém nunca fez esse disco na íntegra.

GT - Para você, qual a importância desse disco de estreia do Oasis na história do rock?

Johnny - Primeiro que foi o disco de estreia mais vendido de todos os tempos. Superou Elvis, Beatles... e ali tem muitos clássicos. Eu fui no Onix Day ver o Liam e tinha muita molecada cantando "Supersonic", “Live Forever”, que são músicas de 94. Me surpreendeu muito como a resposta da galera de gente que não tinha nem nascido quando lançou esse disco cantando empolgado.

Foto: divulgao

GT - Vocês comentaram que mudam os arranjos das músicas que tocam. Para o “Definitely Maybe” vocês vão mudar também ou vão tocar mais fielmente ao disco?

Johnny - Para esse pretendemos fazer mais fiel. Algumas músicas vamos pegar umas versões ao vivo que para quem é fã vai saber identificar. 

Bacalhau - E isso eu deixo total por conta do Johnny. Vou te contar a coisa mais engraçada do mundo. O Noel foi tocar no The Noite, e lógico que consegui colocar o Johnny na primeira fila pra ver. Era a coisa mais engraçada, na plateia só tinha mulher e um homem gigante que é o Johnny na primeira fila chorando igual uma criança, de soluçar. E todo mundo morrendo de rir, ele era a única pessoa que sabia quem era o Noel ali na plateia. Terminou a gravação e eu fui na produção perguntar se ele poderia tirar uma foto para o produtor. Aí o Juninho Bil disse que quando estava rolando a gravação o João, diretor, disse: "Pega esse cara, porque ele precisa tirar uma foto com o Noel"!

GT - E você Bacalhau, tem um ídolo na música assim? 

Bacalhau – Tenho. O Chad Smith. Um cara que eu inclusive tive a honra de tocar junto dele, quem quiser ver tem no meu Canal. Tive o prazer de tocar com ele. Com o Buddy Rich também tive o prazer de tocar. O Rubinho Barsotti do Zimbo Trio é uma referência para mim em todos os sentidos, como pessoa e músico. Para quem não conhece, o Zimbo Trio é um grupo de samba jazz aqui de São Paulo dos anos 60. Quando a Elis Regina veio para São Paulo começar a carreira ela era crooner do Zimbo Trio. Ela fazia os números do Zimbo Trio. Eles levaram música brasileira para o mundo inteiro. O Rubinho pra mim é o maior baterista brasileiro de todos os tempos e não falo isso porque tive a honra de me tornar amigo dele com o tempo, mas falo isso como músico.

Foto: divulgao

GT - E sobre o show no Feeling. Quais são as músicas preferidas de vocês desse disco? 

Johnny - Pra mim são “Slide Away” e “Live Forever”. “Live Forever” pelo fato da letra dela que é uma das coisas mais legais que o Noel já compôs. Bacalheu: “Rock And Roll Star” é demais. “Cigarettes And Alcohol”. É um bom disco mas não é o meu preferido! Gosto muito do “Dig Out Your Soul” mas gosto da discografia em geral. 

GT - Como tem sido a resposta do público para Os Spoilers? 

Bacalhau - Sempre muito boa. A gente fica muito feliz e na vontade de manter o projeto por isso. A gente sempre tem uma recepção muito boa do público e dos contratantes. As pessoas gostam porque a gente se diverte no palco, e o público também. Todo mundo se diverte junto. 

GT - Além do Beto Bruno, sempre rolam outras participações especiais também, né? 

Johnny - O Egípcio já fez duas ou três vezes. É um cara que a gente adora fazer, o jeito dele cantar. O Beto é sem palavras. Está sempre conosco e é nosso amigo pessoal. João Suplicy participou algumas vezes, o Mingau, são nossos amigos que se encaixam e sempre tem alguma coisa legal que fazemos juntos.

Bacalhau - Tem a Lia Paris que se apresentou duas vezes com a gente e é muito legal. Quem quiser conhecer procura na internet, é uma cantora ótima e super talentosa. Tem consciência do que quer fazer e da sua carreira

Foto: divulgao

GT - O que vocês esperam desse show que vai rolar no Feeling? 

Johnny - Esperamos que os fãs dos Spoilers e Oasis colem em peso. É o primeiro dessa temporada no Feeling e esperamos a casa cheia pra prestigiar. A gente sempre toca como se fosse o último show.

Bacalhau - Cara, nós estamos muito animados. Quando o Johnny me falou sobre o esquema no Feeling eu achei super maneiro, porque aqui é um estúdio de ensaio, gravação, uma casa de shows, produtora e bar. E cara, é difícil isso no Brasil hoje. É difícil um empreendedorismo nessa área, arriscar e investir em rock and roll. E é a primeira vez que eu venho aqui hoje e é muito bem estruturado, organizado e a galera é bem engajada.  muito importante isso porque pra mim uma das crises no rock nacional foi justamente o fim das casas de show como o porte do Feeling. Olha, estamos gravando uma entrevista pra você que faz parte desse projeto Feeling, que engloba rádio, estúdio, ensaio e vocês como empreendedores dentro do universo do cenário de arte e música, esse é o personagem que é pouco falado e valorizado. Mas é fundamental porque o músico vive de tocar. E se você não tem um lugar com estrutura para o público nada acontece. Então ou você tem uma banda que toca em muquifos, onde o equipamento é uma bosta, nego te trata mal, te paga mal e o público não tá afim de ouvir som autoral, ou você tem esquema com grande produtor ou gravadora aonde de um dia pra noite você não é ninguém e amanhã está tocando pra 50 mil pessoas. E isso é nocivo pro cenário porque você não dá oportunidade do músico calejar, testar repertório, ter uma relação com o público e amadurecer a banda pra quando gravar um disco estar com um público formado e a banda entrosada. Então o empreendedor, e essa palavra é muito importante, mas no Brasil rola muito preconceito, porque acham que quem é empresário é marginal. Mas não, é o cara que tem uma grana e arrisca. Você está arriscando sua grana e seu trabalho e pode não dar em nada. E você é o cara que empreende e abre o espaço e fala: “vem aqui tocar”. E o Feeling é demais porque vocês arriscam não só numa casa de show. Mas com rádio, ensaio, gravação, bar. Deviam ter vários Feeling no país inteiro porque é assim que um circuito e agenda de shows acontece fazendo as bandas girar pelo país alimentando o mercado do rock que infelizmente desmoronou. Pra mim desmoronou e um dos fatores importantes por isso é que você não tem lugar pra tocar pra 300, 400, 500 pessoas. Eu acho louvável o que acontece no Feeling. Nos anos 90 o cenário bombou por causa disso. 

Muito obrigado pela entrevista galera! Pra terminar queria que vocês dessem um recado pros nossos leitores! 

Bacalhau - A gente agradece a oportunidade. Nós estamos muito felizes e ansiosos. Parabenizamos vocês pelo projeto e essa grande corporação que é o Feeling. A gente espera que todo mundo venha, de nossa parte vamos dar o gás e fazer um excelente show. Pedimos pra vocês acompanhar a gente nas redes sociais. E prestigiem todas as casas de show, vão ver músicas ao vivo e bandas autorais que é importante. Quanto mais gente fazer isso, melhor!

Johnny - Queria agradecer ao Sérgio Almada, ao Feeling e ao Guitar Talks. Nossos shows são sempre como se fossem o último, a gente toca pra valer. Vamos fazer o melhor show aqui no Feeling nessa estreia. Esperamos que todos os fãs d’Os Spoilers e Oasis compareçam e prestigiem.

Serviço

Temporada Feeling Rock Stars apresenta
Os Spoilers + Beto Bruno tocando “Definitely Maybe” do Oasis
Data: 28 de abril, às 21h
Ingressos: R$ 20 na porta / clubedoingresso.com

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