20/02/2017 15:23 - Atualizado em 03/03/2017 00:18

Como o Lollapalooza marcou a carreira de bandas independentes nacionais

Festival completa 25 anos de existência e chega à sua sexta edição no Brasil

Colaboração
Guitar Talks

Por Bruno Marise
Edição final: Felipe Madureira

Em 1991, ninguém imaginaria que o festival independente e itinerante que representava toda a explosão do rock alternativo anos mais tarde se tornaria uma marca mundial e uma das maiores atrações musicais da cultura pop. 

Criado por Perry Farrell como uma festa de despedida de sua banda, Jane´s Addiction, o Lollapalooza foi uma celebração dos novos nomes do rock que surgiam na época, principalmente nos Estados Unidos. Em 1997, o Lolla anunciou seu fim, mas voltaria alguns anos mais tarde, em parceria com uma grande empresa, mudando o formato do evento. Em 2010, tornou-se um festival internacional, estreando no Chile, e finalmente no Brasil, dois anos depois.

A primeira edição nacional do Lollapalooza foi sediada em São Paulo, no Jockey Clube, trazendo Foo Fighters e Arctic Monkeys de headliners. Mesmo tendo grandes atrações de chamariz, o evento continuou dando seu espaço para nomes independentes de cada país, como os paulistas do RevoltzSP, que ainda muito jovens tocaram na edição de 2013. 

“Tocar no Lolla foi uma grande experiência. Nós éramos bem pivetes. Nosso batera tinha 13 anos. Não tínhamos ido a nenhum festival e a primeira vez que fomos foi pra tocar e isso foi bem louco. Crescemos no underground e ter esse contato com um evento tão grande nos mostrou como é ter uma equipe, apresentou o trabalho de vários artistas incríveis que nós não conhecíamos. Impressionou muito o quanto eles valorizam um bom trabalho e isso é o que mais conta”, afirma o vocalista e guitarrista Tiago Camargo.

The Baggios - Foto: Snapic

Mas o Lolla também serve de espaço para bandas rodadas, como o Garage Fuzz. Uma verdadeira instituição do som independente nacional, que teve a oportunidade de tocar na primeira edição do festival, em 2012. Mesmo com bastante tempo de estrada, esse show foi um marco na história do grupo santista. 

“Foi muito bom para a banda, estávamos próximos de completar 20 anos de carreira, lançando os discos por conta própria. A organização respeitou muito a gente e nossa história e isso fez a diferença”, relembra o vocalista Alexandre “Farofa” Sesper. Mesmo as condições adversas do clima não estragaram o momento e o que aquele show representava para os caras. 

“Ia cair uma tempestade na hora de tocarmos. Estávamos preocupados com a reação do público, mas na hora foi inesquecível. Juntaram umas 15 ou 20 mil pessoas na frente do palco, também emocionadas com o que estavam presenciando e sabendo da importância do momento para o Garage. Eu lembro de acabar o show e eu chorar muito de felicidade pelo reconhecimento e carinho que tivemos naquela noite, mesmo debaixo de chuva”, completa Farofa.

Para os psicodélicos goianos do Boogarins, a participação no Lolla de 2015 foi inesperada e também uma ótima oportunidade de apresentar o trabalho da banda para um público maior e diferente. “Demos a sorte de alguém do lineup ter faltado ou cancelado e acabamos tocando um pouco mais tarde. Lembro de o show ter sido muito bom. Toda vez que tocamos aparece alguém dizendo que conheceu a gente no Lolla e depois disso começou a ir em todos os shows”, celebra o vocalista e guitarrista Fernando “Dinho” Almeida.

No caso das Vespas Mandarinas, o Lollapalooza foi um divisor de águas na trajetória da banda. Foi primeiro show deles em um festival grande, ocasião onde puderam dividir o palco com artistas que admiravam - como relembra o vocalista e guitarrista Thadeu Meneghini.

“O Lolla foi uma experiência profissional muito legal. Preparamos um show especial para o dia. Pediram pra gente entregar 30 minutos de show e foi o que fizemos, como quem tem que dar um tiro certeiro pra acertar um coração. E no caso eram mais de 15 mil corações ali, ouvindo nossas canções direto das nossas fuças. Fizemos uma projeção em telão de LED, com o VJ Fred Siewerdt e pra dividir a tensão, chamamos nossos amigos da Vivendo do Ócio, que tocaram duas músicas com a gente. No fim valeu muito a pena”.

RevoltzSP - Foto: divulgação

O duo sergipano The Baggios também se emocionou e até custou a acreditar no convite para tocar no Lolla de 2016. Para Júlio Andrade (guitarra e voz) foi necessário assumir a responsabilidade e encarar o desafio de abrir o palco principal onde passariam grandes atrações. 

“A gente sabe do poder do festival, a dimensão que ele tem no mundo. Abrir o palco principal foi uma sensação brutal. Estávamos com muito feeling, muita adrenalina. O show correu tudo bem e ficamos com uma sensação de dever cumprido. Mas acho que o que me marcou mais, foi depois. A convivência no lounge, com os caras de outras bandas, poder dialogar com uma galera, trocar discos. Isso foi sensacional pra mim, foi uma experiência inesquecível pra nossa carreira”, conta.

A sexta edição do Lollapalooza no Brasil acontece nos dias 26 e 27 de março, no Autódromo de Interlagos em São Paulo, e terá shows de Metallica, The Strokes, Duran Duran, Rancid, Criolo entre outros. Para mais informações e lineup completo, acesse este link.

Confira a banda RevoltzSP:

Garage Fuzz:

Boogarins:

Vespas Mandarinas:

E The Baggios:

Bruno Marise é jornalista profissional e baterista amador. Escreve sobre música desde a adolescência. É totalmente obcecado por informação e principalmente em conhecer novos sons.

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