13/04/2017 14:21 - Atualizado em 15/05/2017 11:10

Demanda por música requer vários Lollas pelas quebradas e cidades brasileiras

Mega Festival aconteceu no final de março, em São Paulo

Redação
Guitar Talks

Mês passado rolou o festival anual Lollapalooza Brasil. O festival vem acontecendo em São Paulo há alguns anos e sempre reuniu um considerável número de pessoas – oriundas de todas as partes do Brasil (de todos os estilos, orientações sexuais, etnias, na ocasião havia amigos e antigos aliados). Ao lado do Rock In Rio, é um dos grandes e ecléticos eventos musicais do país. Leia especial que fizemos sobre o Lolla aqui.

A redação do Guitar Talks acompanhou alguns shows. Nacionalmente, uma das atrações foram os caras do Bratislava (banda que foi entrevistada pelo GT, confira). Eles subiram ao palco num horário ingrato (perto do meio-dia), num calor dos demônios. Mesmo assim fizeram o “show de suas vidas” – apresentando várias músicas novas de maneira bem intensa.

Destaque para a música “Enterro” que fala do crime ambiental ocorrido em Minas Gerais – quando a lama da Samarco escorreu até o Rio Doce. A galera ouvia atenta e no final do concerto se arriscou na “mexida de esqueleto”. Encontramos o fotógrafo Lucci Antunes que fez uns cliques animais de Victor (vocais/teclas), Alexandre (guitarra/vocais), Sandro (baixo) e Lucas (bateria). Todas as fotos desse especial, aliás, são de sua autoria.

O Rancid fez um show histórico cheio de hits e calou a boca de quem sempre duvidou da vinda deles pra cá. O melhor show, segundo o editor Felipe. Banda da adolescência que continua no coração é difícil pacas, mano. Punx.

Já o The Weeknd é um dos caras raros e tem tudo pra se tornar um dos maiores ícones pops da história da música. Ele ainda tem muita lenha pra gastar, mas promete. Acompanhado da sua namorada, Selena Gomez, o cara mostrou muita versatilidade em palco. O editor  até encontrou a Julia, prima de suas primas, Lia e Manuca, de bobeira sentada na grama.

Duran Duran - Foto: Lucci Antunes

Duran Duran mostrou que os seus milênios de estrada não o impediram de fazer um show explosivo e jovial. E levou a cantora Céu até ao palco para cantar um dos clássicos seminais do conjunto. Ela, inclusive, fez um dos melhores shows brazucas, apesar de que rolou um “apagão” em uma música. Nada que abalasse o conjunto da obra, Céu é realmente uma artista diferenciada, não dá nem pra explicar direito - só sentindo e ouvindo.

Os tiozinhos do Metallica tocaram muitas músicas que ninguém conhecia, mas explodiu a boca do balão com “Master Of Puppets”.Também banda da adolescência do patchara, mas não se compara ao Rancid nenhum milímetro.

E o The Strokes fechou o festival com um show questionável, mas que não deixou de ser quente. Os meninos de NY (ao lado do brasileiro Fabrício – baterista) estão um pouco cansados de tocar as mesmas músicas, mas mesmo assim não deixaram a energia de lado.  

Shows fraquíssimos ficaram por conta de Cage The Elefant, apesar do apetite do frontman, e Jimmy Eat World. No nacional, o cearense Daniel Groove não parecia muito à vontade no começo, quando a galera ainda adentrava aos poucos no Autódromo de Interlagos. Aos poucos foi se soltando e valeu por mais uma presença tupiniquim. 

A parada de Groove é mais para pequenas casas, festivais menores, e uma parte do público também se pá nem entendeu o som do cara. Foram ouvidos uns já desgastados “Fora Temer” – hino da esquerda café creme, mas que de fato não tá mudando porra nenhuma na seara política do braza - mas bota um pouco de pressão, inegável.

Como todo ano, ZZZZ..., muitos criticaram o preço dos ingressos, ignorando o valor do cachê de seus ídolos e toda a estrutura do festival. Infelizmente é capitalismo tio, alguém tem que pagar, não tem almoço grátis. As filas para os drinks foram realmente ridículas (tinha vendedor rodando comercializando batatinhas e Skol Beats, vai vendo). Pro GT foi massa conhecer na espera de quase uma hora o figura Carlinhos Batera, da banda 3 tons.

Pros jornalistas o foda era estar em todo lugar, mas a alternativa foi pegar aqueles que eram meio que obrigatórios, tipo Rancid.  Outros optaram por artistas com menos evidência, mas com apurado potencial artístico. O prédio da imprensa era um tanto longe dos palcos e uma saída que parecia disponível (e próxima ao palco principal do evento) estava bloqueada para os profissionais de mídia.

Bratislava - Foto: Lucci Antunes

Lolla nas quebradas

Agora, precisamos falar que no ringue contra o RIR, o Lolla ganha de lavada. O festival deveria rolar em várias quebradas e cidades brasileiras. É o melhor festival do Brasil. Não se compara a mega estrutura do Rock in Rio, mas é muito mais inovador, moderno e se localiza na cidade da música, onde se concentra gente de todo lugar – sorry cariocas.

Mas o DNA do Lolla não pode ficar preso ao marketing e a poucas pessoas privilegiadas. O Lolla tem que transcender, porque a demanda por música é gigantesca nessa terra. Mini Lollas por todas quebradas de SP – vai Cocaia, Jardim Romano, Jardim Brasil, Parque do Lago. Vai Lolla no Nordeste, norte, centro-oeste. 

Pode parecer um clichê falar, no entanto, até em relação à cultura falta vontade política no Brasil e zefini. Não é apenas questão de grana para investimento. É falta de visão! Igual aquele cara que disse que no Brasil há pouca música de qualidade sendo feita – surpresa? Que venha o Lollapalooza Brasil do ano que vem e quem sabe mini lollas na sequência. We hope so!

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