Gabi e os Supersônicos


Artista: Gabi e os Supersônicos
Álbum: "Gabi e os Supersônicos"
Gravadora: Independente
Categoria: Baião / pop / punk
23/12/2016 22:05 - Atualizado em 26/12/2016 12:40

Gabi e os Supersônicos: mistura Brasil-universo para celebrar e conscientizar

EP da banda foi gravado no estúdio Hard Base, zona leste de São Paulo

Felipe Madureira
Guitar Talks
Gabi e os Supersônicos - Foto: divulgação

Por mais que muitos vão ligar o som da banda Gabi e os Supersônicos ao que o Raimundos fez/faz ao longo da carreira, é um ledo engano achar que a música do grupo fica só nisso. O groove se faz presente, permeando as batidas do baião, arrastando chinelas e coturnos dos incautos. Há canções bem pop também, aquelas tipo “canção-canção”, como “Melodia Livre” (faixa número 2).

Além do que, para quem não sabe, o vocal é um instrumento. Tá, não vou dar aula, mas é que a voz porreta  da vocalista, em meu ponto de vista, traz até um corpo mais solidificado em relação à banda brasiliense/paraibana dos anos 90 – na ativa, apesar de capengando e fazendo cover de si mesma.

O conjunto, natural de São Paulo, começou a tocar há dois anos e meio e é formado por Gabi Albuquerque (voz /violão/percussão), Breno Oliveira (guitarra/voz), Paulo Navarro (bateria) e Rafael Nascimento (baixo/voz). Há um mundo de referências: Pearl Jam, Red Hot Chili Peppers, Faith No More, Tulipa Ruiz, Dorival Caymmi, Down, Alceu Valença, Novos Baianos, Bia D´oxum, Anfear, Alba Brito, Davidariloco, Dan Santos, e Nação Zumbi. 

O quarteto lançou o EP de estreia neste ano. O material traz 6 faixas que contam com letras assinadas por Albuquerque e músicas feitas por todos. O disco homônimo foi gravado no estúdio Hard Base (zona leste de São Paulo) e teve a produção da banda em parceria com Diego Castro.

“Onde Mora a Fé” é a faixa de abertura e o groove tá encravado na testa. A letra faz uma brincadeira entre as palavras fé e festa. A canção é bem pop, dançante ao extremo. É pra celebrar, sem arrego. A doce voz de Gabi cola que cola que cola. Boa música pra esquecermos esse ano meio estranho de golpes, eleição de extremistas de direita e mortes de mestres da música como David Bowie e Prince. 

Gabi e os Supersônicos - Foto: divulgação

“Baião d´Ajuda (Arraial)” é a faixa número 3 e é a mais “raimundística”, pois mostra total interação entre riffs e um baião poderoso. A letra até tem uma palavra muito usada pelos tiozão de Brasília: “rockonha”. As batidas são fortes e até imagino uma versão hardcore.

A música é suja de bate-pronto, até parece meio embaralhada, mas no refrão já traz uma sonoridade mais limpa. A letra disserta um pouco sobre todos paulistanos que às vezes sentem uma vontade tremenda de escapulir da babilônia.  

Eu pensei que “Camomila” vinha na sequência para abaixar o facho, mas a faixa é um punk-rock com um riff foda, que me lembrou de começo um pouco dos lendários Dead Kennedys. Pra mim, é a “faixa-irmã” de “Baião d´Ajuda (Arraial)”. Fala sobre insônia e não deixa de se relacionar com a faixa anterior, porque esse é um mal que atinge uma banca que mora nas grandes cidades. Destaque pro reggaezinho do meio da música.

“Tempo” vem na sequência trazendo um vocal bem mais suave – que cola no ouvido. A letra não traz tanto a questão filosófica acerca do tempo. É definição, é uma indagação. “Questione Por Favor (Problema do Sistema)” é suingue, o groove manda na porra toda, mas o refrão leva a faixa mais pra cima, com o drive ligado a todo vapor. O baião não falta em trechos quase falados e finalizados com a frase “limite de velocidade”. Tem a letra mais crítica e urgente.

Gabi e os Supersônicos merece ser ouvida com carinho, não só pelo instrumental coeso e a criatividade à flor da pele, mas por trazer questões políticas em meio a músicas mais suaves e de celebração.

Ouça o EP da banda:

Assista ao clipe da última faixa do disco:

Confira também o lyric video que acabou de sair do forno:

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