Zamba


Artista: Zamba
Álbum: Zamba
Gravadora: Independente
Categoria: Groove / brasilidades / África
24/10/2016 14:52 - Atualizado em 09/01/2017 10:50

Das raízes africanas ao puro groove, o disco do Zamba é uma aula de história musical

Projeto é idealizado pelos músicos e produtores Állan Azambuja e Gabriel Lima

Felipe Madureira
Guitar Talks
Zamba - Foto: Lucas Redondo

O álbum de estreia da banda de música instrumental Zamba é uma verdadeira viagem em busca da linguagem musical dos nossos antepassados. Todos nós viemos da África – lá foi onde tudo começou. E os atabaques pulsantes presentes nesse projeto musical evidenciam essa pegada já desde o início – com a faixa de abertura “Zumba”.  

Esquece se você está pensando naquela aula fitness – só pra não perder a piada – Zumba parte da origem, sem rodeios, sem instrumentos de cordas, é a batida nua e crua na sua cara. Processo este que vai aos poucos sendo destrinchado com a chegada dos sopros, guitarra, piano e cia. A África, o sangue negro aportando na América , a capoeira – isso é o lance de “Zambi”, a faixa 2.

Os músicos da Zamba souberam muito bem contar uma história através de sons, pois os idealizadores Állan Azambuja e Gabriel Lima retomam tudo em ordem cronológica crescente, de trás pra frente.

“New Pacha” – a terceira música do debut album do Zamba – traz de bate pronto o assobio dos pássaros da América. Pacha é universo ou mundo na língua  quíchua (representante de uma das mais importantes famílias de línguas indígenas da América do Sul).

Na história contada, a chegada a esse novo mundo, do encontro do indígena com o negro. O final já se transforma no mais puro free jazz, um indício da virada que o disco dá a partir da próxima faixa, “Praise”. Estamos na metade do álbum.

A melodia já está mais intensa, a cadência chama, e a percussão já não se faz mais protagonista na ambiência criada por Azambuja e Lima. O piano se faz bastante presente e as frases ficam cada vez mais evidentes.

“Peabiru” é groove e também muito brasilidade, começando engana trouxa com barulhos de grilo – ela é uma das mais dançantes, diferentemente do que o começo dela possa indicar. A guitarra se faz presente, ela é aberta e até dá um sentido ao termo tupi que significa "caminho gramado amassado". Ela aponta caminhos, feche o olho e já era.

“Jaguará”, a sexta e penúltima canção, também é bem grooveada, apesar de ser mais na cadência – menos up, mas podemos considerá-la irmã de “Peabiru”, com uma pegada mais jazzística.

Para fechar, “No Harlen” traz o puro suingue soul do Brasil, na pegada. É a pedrada essencial que chama para o segundo trabalho do projeto – que já está tá em pré-produção. O próximo trabalho do Zamba tem a assinatura da Quixó Produções em parceria com o estúdio Azambuja. O lançamento está previsto para 2017 junto com o álbum “Zamba Ao Vivo no Teatro da Rotina”. 

Ouça o disco do Zamba:

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