Hateen


Artista: Hateen
Álbum: "Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui"
Gravadora: Hearts Bleed Blue (HBB)
Categoria: hardcore / punk rock
27/09/2016 11:04 - Atualizado em 26/12/2016 11:53

Hateen supera fantasmas do passado em "Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui" (HBB)

Disco é o sétimo da carreira da banda

Colaboração
Guitar Talks
Hateen - Foto: Pamela Mota

Por Rafael L. Chioccarello
Edição Final: Felipe Madureira

Hateen é uma banda que faz parte da memória afetiva de quem acompanha o underground. As letras inteligentes e reflexivas de Rodrigo Koala (guitarra/vocal) sempre foram marcantes, trazendo uma mensagem positiva apesar das dificuldades da vida. 

Desde “Obrigado Tempestade” (2011) passaram-se cinco anos. E em junho deste ano foi lançado o sétimo disco da carreira da banda, “Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui” (HBB). As letras mantiveram uma tônica bastante pessoal, valendo ressaltar que nos últimos tempos Koala passou por poucas e boas. Problemas sérios como síndrome do pânico e alcoolismo.

Superação, esse é o sentimento do disco. Após essas inúmeras barras, desentendimentos e solidão, ele venceu mais uma vez esses percalços mundanos. E nada como utilizar a música para através da espiritualidade arranjar forças para se reerguer. 

O disco se inicia com a faixa título, que já crava o tom confessional do disco. Com uma levada de guitarra que lembra um pouco o pop punk de grupos como Sum 41. O sentimento de querer superar os problemas na marra é o que a canção transmite, mas sabemos que não é bem assim que a vida funciona. Nada como um dia após o outro amigo. Uma frase marcante da canção pelo tom através da espiritualidade:

"Se te disserem que está errado / só siga em frente e não preste atenção / muitas pessoas vivem do passado, trocam a luz pela escuridão, mas eu não" 

"Coração de Plástico" tem uma carga de remorso com pessoas que desapontam e viram as costas. O tema da solidão é posto a prova mais uma vez. A desilusão lembra a temática do disco “Big Choise” (1995) do Face To Face. 

A faixa seguinte "Perdendo o Controle" conta com a participação de Rodrigo do Dead Fish. Talvez as duas bandas - ao lado do Noção de Nada e CPM 22 - sejam as mais marcantes do hardcore melódico de sua geração. Se auto sabotar é a essência da faixa.

Rodrigo Koala - Foto: Pamela Mota

O sentimento de aprisionamento e solidão se traduzem nos duros versos da balada "Sempre". Fala sobre se reerguer e talvez seja a que mais pegue na ferida da síndrome do pânico sem freios ou censuras. A solidão e o fim de um relacionamento mais uma vez se faz presente na letra. 

"Passa o Tempo" é um single do disco que ganhou um clipe escuro e conflitivo que conta com Dani Vellocet fazendo dueto com Koala nos vocais. "12 Passos" é mais uma balada do disco, que aborda relatos sobre bebedeiras, desilusões e trapaças. "Um Homem Que Não Tem Para Onde Ir" mostra conflitos com a solidão e a falta de rumo, com uma veia mais pop alá Foo Fighters. 

O tema do término e a dificuldade em superar o fim de um relacionamento são a tônica do hardcore "Um Novo Dia Sem Você". Já "Perfeitamente Imperfeito" traz o violão e libera o lado mais confessional do disco. 

"Nada a Perder" tem um Q de Jawbreaker com suas guitarras melódicas. Aceitar o passado para poder seguir em frente é a grande sabedoria da canção. A canção que mais gostei do disco foi "Deixe a Cidade Toda Saber", forte composição que mostra o “seguir em frente” de maneira poética. Os arranjos e sing-a-longs mostram a maturidade da banda que a cada trabalho consegue encaixar ao menos duas canções marcantes.  

Para fechar o álbum, o Hateen escolheu como última cartada "Despedida (Com Dó Menor)", com muita positividade e reflexão. Olhar para o futuro de maneira apaixonada, sentindo falta do que passou,  mas mirando um futuro ainda melhor. O adendo do violino deixa a faixa ainda mais dramática e com carga emocional pesada. A guitarra em seu fim faz um duelo com o som dos violinos como uma balada do R.E.M., com a entrada mais para o final do piano: fica difícil não cair no choro. 

Reflexão, superação, alcoolismo, decepções e melhorar como ser humano são os temas evidentes em “Não Vai Ter Tristeza Aqui”. As composições continuam a impressionar pela franqueza e a positividade em conseguir enxergar uma luz no fim do túnel: apesar das adversidades.

Pesquisador musical e publicitário nas horas vagas, Rafael L. Chioccarello toca o blog Hits Perdidos, tem um tumblr que conta a história dos covers (Coverpedia) e brinca de ser DJ no Anchor Mixtapes. Já escreveu para a Madmag e é um dos colaboradores do Guitar Talks, Ideal Shop e do blog Música De Menina.

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