Ricardo Guimarães


Artista: Ricardo Guimarães e Os Nadahypes
Álbum: “Subversivo”
Gravadora: independente
Categoria: rock / experimental
16/09/2016 12:04 - Atualizado em 18/11/2016 13:46

Ricardo Guimarães traz ares densos em seu EP "Subversivo"

Músico apresenta disco com doses soturnas, mas agradável aos ouvidos

Marcos Ferreira
Guitar Talks
Ricardo Guimarães - Foto: divulgação

Bem tocado, bem cantado e bem produzido. Letras fortes e um teor melancólico dão a cara do EP “Subversvivo”, primeiro álbum de Ricardo Guimarães, que traz em sua companhia (em shows) a banda Nadahypes - esse registro é o terceiro trabalho do músico, que vem depois do EP “Eu x Eu” e do single “Ína”. 

Se você busca um disco para pular na sala, de fato não é esse. Por outro lado, se o objetivo é mergulhar em melodias e letras densas, este é um trabalho ideal para seus ouvidos. O álbum apresenta oito faixas de sonoridade sem firulas. Os arranjos, inteiramente gravados por Ricardo, também conhecido como "otaldoguimaraes", casam perfeitamente com a proposta de seus versos.

Na abertura com “Ilegal”, o adultério corre nas espreitas de uma relação proibida e cheia de jogos de emoção. Com certeza terão pessoas se identificando com o lado triste de um caso extraconjugal, que passeia do amor para o perigo.

Esse início dá o tom do disco que, segundo o próprio artista, “traz tudo que há de melhor e pior” nele próprio. A definição é um mergulho que traz o “Subversivo” que está no título e permeia todas as tracks.

Em “Rose Quartz” o convite da letra é para novas experiências. O título da música é uma referência à personagem lúdica que amava as pessoas, o mundo e era carregada de esperanças, mas capaz de guerrear por conta disso. A música é marcada em cadência rápida (quadradinha, o metrônomo é respeitado como se deve – músicos entenderão) e tem uma virada rock dá o clima no final.

São texturas sonoras, crescimentos feitos com o bom e velho gênero rebelde, mas com uma leveza ímpar. Elementos que se derramam nas três primeiras canções completadas por “Ok”, assim simples e direta.

Falar de letras é sempre desafiador, mas como não se encantar com o cenário cotidiano que termina num melodrama de 5 minutos e 14 segundos de música. Não sei o que Ricardo pensava exatamente, mas parece ser extremamente claro. Não precisa ser PHD para entender.

Ricardo Guimarães - Foto: divulgação

A sequência traz “Rua Augusta”, uma crônica que fala de amor tendo o icônico endereço paulistano como pano de fundo. A brincadeira faz uma série de referências mundanas e rotinas de escola em uma brisa que poderia ser muito bem uma carta de amor (daquelas que escrevíamos fofas sobre a carteira do colégio e muitas vezes nem mandávamos). Ah, é meio rockabilly, dá vontade de sair por aí se balançando. Pra que complicar, né?

“Aliterações” começa com uma sequência de dedilhados na guitarra e um vocal que de início achei que iria ouvir “Ave Maria” de Schubert (obs.: isso não é ruim e nem plágio). A letra, mais uma vez tratando do amor e seu fim conta uma história mais triste – os motivos pessoais devem ter sido fortes. 

Impossível para mim não sentir uma similaridade com os sons do Gram em sua primeira fase, aquela do ‘clipe do gatinho’. Ainda sobre “Aliterações”, acredito ser a mais dolorida das faixas. Corta rente à carne, é choro gritado. Minha favorita.

“Eu Não Vou Morrer”, uma carta aberta a si mesmo, busca explicar o que como se auto-enxerga, mas dá uma chamada bonita na ‘outra pessoa’: “Tenta ser feliz sem mim”. É bom esse cotidiano sentimental com um rock pop sem ser festeiro ou piegas.

A penúltima do disco é “Serenity” com versos como “Me dá o teu ombro eu quero me escorar / Me dá o teu colo eu quer descansar”. A letra é doce e poética e assim se segue. O vocal é o mais ousado e arrojado dentre as oito canções. Tudo isso quebra no meio com as guitarras altas e trechos de voz com efeitos. Foge do óbvio.

“Alexitimia” fecha o trabalho com ares doloridos no instrumental e versos de desabafo. “Eu não quero mais, meu bem”. A frase define bem o clima da música. Uma resposta para um disco de cannções de lamentos poéticos.

“Subversvivo” tem sua capa assinada por Bruno Cironak e foi produzido por Paulo Roberto Albino no estúdio Zero, em Caieiras, ao lado do próprio Ricardo Guimarães. O trabalho de Albino é outro destaque que mostra a qualidade das produções nacionais.

Estamos falando de um disco no qual as camadas sonoras soam com os destaques corretos e altura exata. Tudo contribui para uma imersão nesse mundo positivo e negativo do compositor. O que é muito bom aos ouvidos.

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