20/04/2017 18:53 - Atualizado em 25/04/2017 18:05

A inquietude da Mafalda Morfina

Banda lança single com Johnny Franco do The Moondogs e fala da sua trajetória ao Guitar Talks

Marcos Ferreira
Guitar Talks
Renato Manteiga, Luh Lívia, Thiago Arena e Carla Keyse - Foto: Elias Aftim

Por Marcos Ferreira

Mafalda Morfina já é uma jovem senhora do rock nacional. Com quase uma década e meia de existência, a banda já pode se vangloriar de sua longevidade e suas histórias de correria e atitude. 

Ao logo desse período, muita coisa mudou na cena alternativa e outras tantas foram importantes para que o grupo criado no Ceará cravasse suas canções no hall de criativas e relevantes bandas da sua geração.

Luh Lívia, Carla Keyse, Renato Manteiga e Thiago Arena já estiveram lado a lado com seus ídolos em palcos por várias partes do país e vão criando mais novidades. Com dois discos na bagagem – “Sonhos Contrários” (2008) e “Carrossel Estático” (2014) -, a banda já compartilhou microfone com nomes como Bruno Gouveia do Biquini Cavadão.

Agora a banda está lançando o single "I Can Think My Own Time", composto a quatro mãos e com a presença de Johnny Franco, do The Moondogs, nos vocais, além da produção de Edu Recife. Conversamos com os integrantes da banda sobre projetos futuros (para os quais fazem suspense), a trajetória do grupo e um pouco sobre a cena rock atual.

Luh Lívia e Carla Keyse - Foto: Elias Aftim

Guitar Talks - A Mafalda Morfina está quase debutando. Com 13 anos de carreira, o que mais vocês destacam no cenário musical independente?

Luh - O talento e a diversidade. Tem muitos artistas talentosos do Norte ao Sul, fazendo sua música com dedicação e se reinventando. Há um público cada vez mais forte para a produção independente. A internet é uma grande aliada dessa cena. 

GT - A banda foi formada no Ceará, reduto de grandes músicos que tomam o país desde sempre. Como é fazer rock na região natal de vocês?

Carla - O Ceará não é conhecido nacionalmente como um lugar onde se "faz" Rock. Mas a realidade é que lá se faz muito rock’n’roll sim! E bem feito, diga-se de passagem! Por não estarmos no centro do país, isso talvez dificulte um pouco projetarmos bandas de rock aos montes para todo Brasil. Investimento financeiro, que sabemos bem que não é nada fácil de ter, se faz muito necessário para fortalecer a cultura de uma região, nesse caso bem específico, a cultura rock.

Mesmo assim, fazer rock no Ceará sempre deu - e continua dando - uma boa resposta de público e crítica. É uma questão de saber usar os canais certos para isso. Encontrar amigos e parceiros que vistam mesmo a camisa é algo fundamental para seguir firme e forte nessa estrada. E apesar das inúmeras barreiras que surgem, a Mafalda Morfina conquistou muito espaço na cena local, o que nos possibilitou abrir shows de grandes nomes nacionais, como Pitty, Biquini Cavadão, os Paralamas do Sucesso, Titãs, dentre outros.

Isso fez com que esses representantes tão marcantes do rock nacional soubessem de forma prática e direta que no Ceará se faz rock. Mas, como nem tudo são flores, a necessidade de expandir os horizontes acaba batendo à porta e por isso se torna quase uma obrigatoriedade - e uma aventura - vir pros lados do sudeste para dar uma maior visibilidade e continuidade ao trabalho e mostrar a força do nosso rock cearense.

GT - "I Can Think My Own Time" é um single composto a quatro mãos. Essa é uma nova fase criativa de vocês na qual teremos mais faixas com todos colaborando?

Luh - Não sabemos ainda. Foi muito natural. Em um belo dia de ensaio nos desafiamos a compor uma música juntos e, espontaneamente, fomos expressando artisticamente tudo que estávamos sentindo (na vida pessoal, no mundo e na própria banda). Nasceram duas músicas em sequência. Foi enriquecedor esse processo pra gente. Não costumo criar primeiro a melodia, pra depois colocar a letra, como agi nessas composições. Geralmente ambos surgem em um mesmo pensamento. Nós arriscamos a criação dessa forma “nova” e rolou bem. Transformando as insatisfações em poesias. 

Mafalda Morfina - Foto: divulgação

Quem for fã da banda, vai compreender, imediatamente ou um tempo depois, todo sentimento que desejamos passar nesses singles. Cada som tem um sabor próprio. Mesmo que seja de sorvete de pavê (risos). Nada aqui é por acaso.

GT - A música tem a participação de Johnny Franco da banda The Moondogs. Como foi essa parceria?


Renato - Quando estávamos em processo final de composição, Luciana comentou que queria uma participação especial pra “meiar” os vocais com ela, e que já havia pensado em um nome. Pelo fato dos Moondogs trabalharem com composições em inglês e tocarem rock de forma visceral, isso nos deu a certeza de que Johnny seria a pessoa certa para a parceria. No estúdio foi tudo muito rápido. Por confiar e conhecer o estilo dele, o deixamos a vontade para que imprimisse sua identidade. Ele arrebenta!

GT - Vocês fazem um som que abrange muitos horizontes. "Poderosa Imperfeição", do disco "Carrossel Estático" (2014), tem a participação de Bruno Gouveia do Biquini Cavadão, artista que já abrange outra vertente do rock. Como é essa mistura na banda?

Luh - A Carla curte bandas como Muse, Placebo e admira os compositores da Jovem Guarda, por exemplo. O Thiago gosta de heavy metal e de bandas nacionais como Pato Fu. O Renato ama Foo Figthers e Skank. Eu sou uma misturada só, de Michael Jackson à Tim Maia, de Raul Seixas à Céu.

Thiago Arena e Renato Manteiga - Foto: Elias Aftim

Antes eu era muito caxias, só gostava dos artistas mais antigos. Hoje costumo contemplar todas as gerações e nacionalidades, desde que me identifique com a verdade do cantor ou banda, inclusive os atuais, dessa nossa geração. Tem bastante coisa nova e boa no Spotify! Enfim, creio que pela banda ter esse gosto diversificado, nós fomos construindo nosso som influenciados pelas variadas vertentes que o pop e o rock abrangem.

GT - Em 13 anos muita coisa mudou no jeito de fazer e comercializar música. Em 2004 a internet já era uma possibilidade, mas não com o alcance de hoje. Como vocês enxergam isso no trabalho do grupo?


Thiago
 - Hoje em dia é mais fácil para o artista atingir seu público alvo, se ele souber usar as redes sociais, seja de forma orgânica ou paga. Isso também acontece pelo aumento do nível de qualidade nas produções, por conta do acesso a melhores equipamentos e à informação. E principalmente porque agora as pessoas (o público) têm a escolha de assistir ao que quiserem, na hora que quiserem, sem a imposição da mídia de massa, e quando gostam passam para frente. A gente, em particular, ainda precisa usar melhor essas ferramentas... Mas sem dúvida é fundamental a todo trabalho artístico.

GT - O que podemos esperar depois deste single. Temos álbum novo à vista?


Thiago - Nós estamos discutindo algumas questões e iremos expor ao público em breve. 

GT - Gostaria de deixar um recado aos fãs e seguidores do Guitar Talks?

Luciana - Que acreditem sempre nos seus “sonhos contrários”, porque hoje em dia, felizmente e finalmente, estamos começando a poder ser fãs de artistas que não estão dentro daqueles antigos padrões de estética ou de qualquer contexto retrógrado. Tem Criolo, tem Carne Doce, tem MC Carol, tem Liniker e os Caramelows... inclusive tem também Mafalda Morfina, Luh Lívia, Carla Keyse, Renato Manteiga e Thiago Arena. Em tempo de caos, iluminem suas mentes com coisas boas. Vivam para somar, vivam para ajudar. O mundo agora nos pede por mudanças urgentes. E tudo começa de dentro. Tenhamos mais fé, conhecimento e coragem. E que os inquietos não se tranquilizem jamais.

Assista ao lyric video de "I Can Think My Own Time":

Veja também os clipes de "Tente Outra Vez", "Café-com-Leite", "Supra Desejo" e "Melhor Falar com Estrelas":

E ouça os discos "Sonhos Contrários" e "Carrossel Estático":

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