17/08/2016 12:05 - Atualizado em 06/09/2016 18:38

The Shrine, Ateliê no Simplão, shows no Sesc Pompeia, Baderna e a loucura do capô

Essa gonzo tem também Baianasystem, Giallos e Lê Almeida, A Porta Maldita, entre outros eventos

Felipe Madureira
Guitar Talks

Texto do editor (puro jornalismo Gonzo) - Por Felipe Madureira
Resenha / Crônica

As Olimpíadas na terra de conde Temer começaram com vaias abafadas para ele, repressão aos manifestantes ecoando pelos cantos, muita festa e as ninjas tombando tudo – primeiro ouro para a linda e muito zica Rafaela do judô. Em relação a tudo o que rolou de podre para os jogos acontecerem, o Malvina lançou uma música foderosa (dá um confere aqui). 

Antes de começar o texto, de fato, um salve para Maurício Costa, o Mau, Julio Castilho, o Feiticeiro Julião – que acabou de soprar velinhas, esbarrando nos 3.0. né nego véio - e Eduardo Osmedio, um dos baluartes do garage da zona leste de São Paulo (ex-Haxixins e atual Os Subterrâneos/Capitão Bourbon/Os Tulipas Negras/Os Longes). Osmedio é um dos novos colunistas do Guitar Talks e vai falar muito sobre fuzz, garage, psicodelia e cena independente. Aguarde a coluna “Jardim Psicodélico”!!! 

A intro era pra ser diminuta, mas raspou pelos cantos, astuta, seguindo mais adiante, mais e mais. Who cares? E essa resenha sacana rasga em direção ao Simplão de Tudo, para os linces e para as lobas, para os loucos com rumo austral, foda-se a cronologia.

Simplão

Eu fui acompanhar os meus (minhas) queridxs do Ateliê de Loucos em um show no Simplão de Tudo no penúltimo sábado, 6 de agosto (quem segue o site deve saber onde fica o Simplão, muitos textos abordam esse lugar único – confira o mais emblemático deles aqui). 

15 pessoas no rolê alucidamente fazendo um bate-volta no camping-rock mais louco de Paranapiacaba, e se pans do Planeta. E não dá pra não falar do motorista né, cuzão? Seu Rosael lacrou, dirigiu que nem um Senna e brisou nos acordes “lisérgicos-confiáveis” de cada banda: Monstro AmigoRelespúblicaFrancisco, El Hombre e, claro, Ateliê de Loucos. Ele me disse que foi a melhor viagem da vida dele. Tombante!  

Em dado momento uma roda gigante se formou, quase toda a plateia com as mãos entrelaçadas e as mentes vidradas no palco. O céu não tava roxo como de costume, mas o Simplão continuou na sua saga de vibrações fortes, tanto que “curou” a depressão de um dos integrantes da van e de outro, a vontade foi de ficar e só voltar no dia seguinte – tinha um bom motivo.

Piru, do Vapor - Foto: Ramon Chaves

Sesc Pompeia

Um dia antes, sexta-feira, 5, foi a vez do show da banda de música instrumental e sideral Aeromoças e Tenistas Russas, grupo de São Carlos, a querida Sanca. Juliano Parreira (baixo), Gustavo Palma (teclado), Eduardo Porto (bateria) e Gustavo Koshikumo (guitarra) subiram ao palco do teatro do Sesc Pompeia para a apresentação das músicas do terceiro e último disco da carreira.  

Desde que eu tive a oportunidade de comparecer à audição do disco “Positrônico”, pude perceber a força que esse trampo tem. Os instrumentos se unem em plena comunhão e por mais que às vezes eu me sinta um pouco “dopado”, a música do ATM não cansa.

O quarteto é, em minha opinião, um dos principais grupos de música instrumental dessas terras, ao lado de e a terra nunca me pareceu tão distante, Mahmed, O Grande Ogro, Kubata, entre outros. A cereja do bolo da noite foi conhecer pessoalmente uma pessoa que eu prevejo que fará algo produtivo em breve com o patchara que vos fala: o marujo vindo de Fortaleza Pedro Barreira.

Eu ia seguir a desordem cronológica, mas resolvi subverter a própria subversão e voltar pra cenas do último capítulo, que rolou coincidentemente no Sesc Pompeia de novo. Isso tem uma explicação, no final dessas ideias. O Jazz na Fábrica, um projeto que traz diversos artistas do gênero, e outros nem tanto, rolou no dia 14 de agosto, domingo, e marcou o primeiro rolê que eu fiz com minha irmã, Morena, após a volta dela a São Paulo. A caçulinha está há anos pelo mundo, Londres, Hell de Janeiro, João Pessoa, Bauru e agora vai dar um tempo na babylon.

Dias dos pais e o bang era família, criançada correndo e sendo seguida de perto, bunda no chão e olhos fixos no palco. Como eu disse agora mesmo, não tinha só jazz e assistimos primeiramente uma banda que tem uma pegada folk com nuances de blues e gospel estadunidense – o The Lonesome Duo, formado por Luiz Masi e Rennan Martens (a tal explicação vai ser dada abaixo e tem a ver com o último). 

Depois, veio o Tigres Tristes, que exalava um certinha tristezinha sim, um bacholão de responsa, a sonoridade gipsy jazz e um dos melhores músicos da noite, o Flávio Nunes (que comanda os tigers ao lado do também talentoso Bruno Panichi). Nunes é um monstro, virtuose total nas cordas.

A explicação é que o baixista da banda de Martens e Masi, o Bicudo, tocou comigo há cerca de meia década na banda de um músico de Pernambuco, o Zeca Viana. Rennan, inclusive, já teve um entrevero com Zeca, como eu também. Mas isso são outros 500, deixa no gelo, vamos de virote.

Gimme Danger

Como na minha última resenha gonzo, nessa eu volto a falar da Gimme Danger, festa capitaneada pela Debbie Hell – femininja, amante da música, blogueira, colunista do Nada Pop, agitadora pra toda hora. Na quinta-feira, 4, ela trouxe a banda Firefriend , que tem em sua formação outro lince que tocou comigo, o baterista Cacá Amaral. 

Baianasystem - Foto: divulgação

Foi a melhor edição da festa que eu já fui e olha que em doze eu constei em umas nove, no mínimo. O Firefriend, que é uma lenda do rock alternativo nacional, fez um show digno demais de todos da “cena” assistirem. SELOKO. A festa foi regada a uma breja foda de lemonade dos manos da Cervejaria Venator. Classe jow! Além disso, acabaram me pagando um “Long Island Ice Tea” aka vodca, gin, rum, o triple sec, tequila, suco de laranja, coca e chá. Mano do céu.

Ou seja, a baderna tava feita com álcool, festa e muito muito glitter. Como no carnaval, joguei um punhado em uma “indefesa” menina e depois fui acertado pela amiga com o saco quase cheio daquilo. Tava quase expelindo glitter pelas ventas. Foi uma brincadeira que me fez conhecer a Emily, o “Old Boy” e uma renca de Barueri. Tive o privilégio também de trombar o já amigo André Guimarães, da banda Muff Burn Grace. Pra quebrar a banca, o pessoal do Verónica Decide Morrer colocou um DJ Set cabuloso com direito a um rocksteady foda do Toots & Maytals: o cover de “Louie, Louie”.

Baderna


Eu falei em Baderna linhas sob minha cabeça, mas isso só começou de verdade no sábado, dia 13. O dia já havia começado loko, pois o lince-sarigue aqui ensaiava pela segunda vez com sua nova banda, o Empate. Cassiano, Junior e Dex e eu vamos tombar pelos palcos alheios, segura a emoção, juta! É foda voltar a tocar, sem palavras pra descrever essa terapia. 

Mas voltando à Baderna, no mesmo sábado rolou a inauguração do Bar, BINGO, Baderna, do nosso queridasso Trovão. E a banda escolhida para a abertura não poderia ser ninguém menos do que o Vapor – os meninos da metralhada (risos). Mantegão, Piru, Kukuchu e Dioguinho estão cada vez mais afiados, poucas ideias.

O pico que fica bem em frente ao Unibes e ao Metrô Sumaré – na Oscar Freire – é uma boa opção para a região que não tem muitos lugares do mesmo estilo. Sem contar que tem preços justos, seja nas cachaças da vida, como nas comidas – e tem pra todo tipo (tem vegana!). O espaço é incrível, com um quintalzão digno de festas homéricas, com suas cadeiras de praia ornando o ambiente da forma mais suave possível.

Na mesma noite, a banda Caraná também compareceu mostrando toda sua verve paz e amor, com poucas ideias também para os caretalhas. To achando que o Baderna ainda vai fazer história, só acho. “Three Days of Peace and Music/I Never Felt So High/Chaiss and music”!

Gabriel Debia no The Shrine - Foto: divulgação

Inferno Club

Eu não poderia deixar de falar do show da banda californiana The Shrine, que rolou dia 30 de julho no Inferno Club, em São Paulo. Apesar do som ser muito louco, e eu ter encontrado loucos como o Passa-Mal, Sabino e a Micha – adicionando o ser mítico que me acompanhou por aquelas bandas, o Gabriel Debia –, eu não tava pra muitos amigos, sei lá...

Mas o show foi impecável em todos os sentidos, com a roda sendo formada pela galerinha stoner, skate or die. O trio de apresentou as músicas do disco “Rare Breed” e tacou o foda-se principalmente em “Death to Invaders” e “Destroyers”. Riffs do inferno vindos diretamente dos bowls de Venice. Josh Landau (guitarra/vocal), Court Murphy (baixo) e Jeff Murray (bateria) tombaram tudo no recinto. Uma das inspiraçãos de Murphy, inclusive, é o Thin Lizzy – como ele confidenciou ao nosso "pequeno-doido-falador" Gabriel (aliás, ouça o som magnético dele aqui).

O evento foi mais um organizado pela produtora carioca Abraxas, que chamou Monstro Amigo e Bandanos para abrirem o show. A primeira toca o mais fino e desvairado prog, com o vocalista, tecladista e saxofonista traduzindo em palavras cantadas toda a indignação em relação a nossa sociedade hipócrita. Nós como ele, somos viciados na palavra, bicho! 

Eles foram os que adentraram de primeira no palco e destoaram um pouco da galera fã do The Shrine, mas tiraram tudo de letra, mesmo sem ter guitarras – apenas um teclado embaçado. O Bandanos, por sua vez, não tem nem o que falar, estouraram a boca do balão, sem massagem – evocando toda a cultura bandânica de bandas como Suicidal Tendencies, Excel e cia. 

CCSP e Audio Club

Agora é a pausa para falar de dois shows que me deixaram de queixo caído – FODA é apelido: BaianaSystem, no longínquo 17 de junho, e Giallos com Lê Almeida no meio de julho. 

A banda que tem no vocal um dos melhores frontman do Brasil, o Russo Passapusso, faz atualmente um dos shows mais instigantes do Brasil. Eu não me canso de falar o amor que eu tenho pela Bahia, um lugar sagrado por si só. O baianasystem mistura a cultura do carnaval de rua, com a estética rap e a atitude hardcore. Ver a Audio Club daquele jeito foi de arrepiar. Com certeza foi um dia histórico.

A dobradinha Giallos com Lê Almeida em um dos mais emblemáticos espaços culturais de São Paulo, o CCSP, com a plateia cheia de amigos e com direito a space cookie foi foda. Esse show e o da Audio já estão no Top 3 do ano. O Giallos abriu com potência total, a bateria mais explosiva do ABC paulista, com o teremin nervoso na última frequência tornou aquela noite indescritível. Só quem viu, viu. 

A transição para a segunda banda foi algo que eu nunca tinha visto, pois o baterista Flavio Lazzarin permaneceu no palco e tocou ao lado da banda do Lê Almeida. Este já é um lenda do rock alternativo, mostrou as faixas eternas do último disco “Mantra Happening”. Noite pra não esquecer que terminou no bar com irmãos do Blear, Sky Down e do querido Paulo Sérgio.

The Shrine - Foto: Fernando Yokota

A Porta Maldita e outros eventos

Eu não poderia deixar de citar os eventos organizados pela gang do A Porta Maldita. Sempre trazendo diversidade, seja de prog, instrumental, stoner, neo-psicodelia e outras coisas. A turma capitaneada por Caio e Arthur tá fazendo história com frequentes shows de rua. É hora de ocupar, seja nos foras temers da vida, como culturalmente. E tem que ser algo permanente, como eles fazem, e tudo feito de forma organizada. Vida longa à PORTA, seguimos no front cultural!

A festa Pardieiro também merece ser lembrada, pois sempre é um acontecimento, como na dobradinha Russo Passapusso eBlack Alien e no show do Móveis Coloniais de Acajú no Cine Joia (este me surpreendeu, pois eu não ia muito com a cara dos brasilienses). 

Festa das 3 minas fodas

Ano passado, eu ramelei (mas por motivos de saúde), e não pude comparecer a big festa das minas de responsa Alice, Julia e Paty no bar A Gruta – ao lado do Estadão. Este ano tive que ir sem falha, após encontrar o Grupo da Rajada na estonteante Praça Roosevelt.  As minas levam uma galera da Zona Show, do São Luis ao Monte Azul – dá pra lembrar um pouco dessa gente unida aqui e aqui. A festa Doo Wop teve a presença de vários crânios apresentando seus DJ sets, como Laura Mercy, JL e PG, do Elo da Corrente. 

Pra encerrar, deixo um salve pro Unidos do Capô ou Grupo da Rajada. O lance é que essa alucinação começou no início de junho com os desvarios das madrugadas sem fim na Praça da Árvore, na Roosevelt, Belém e onde tiver que for. Subindo nos capôs dos carros, fazendo caricaturas de uns aos outros, delirando com o mínimo que a vida pode proporcionar. Tá acontecendo, badauê badauê,  palinha, salronio, chibabas, LadoAhhhhhhhhhhhhh, billyenights e trombetarias atômicas com corote dos deuses colantes.

POWWWWWWWWWWW

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